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01/04/2026

Quem é Nenê Romano?

Toda manhã, passo por todas as redes sociais e nas manchetes das notícias, para ver se a sociedade evoluiu, e hoje conheci a História de "Nenê Romano" - vinculado pelo ICL: matéria aqui e achei importante, compartilhar com quem acompanha minha aflição com a epidemia de feminicídio que assola o País.

É importante salientar que o ICL partilha diariamente o tema com a chamada "Nenhuma Mulher a menos" - a tentativa de mudar nossa história parece algo distante, mas sigamos na jornada....

Um pouco sobre o que encontramos no GOOGLE sobre Nenê Romano:

Nenê Romano, pseudônimo de Romilda Macchiaverni (c. 1898–1923), foi uma figura notória na São Paulo dos anos 1920. Filha de imigrantes italianos, tornou-se uma prostituta influente e "mulher fatal" cobiçada, sendo assassinada a tiros em um táxi por Moacir Piza, um advogado, em um caso que misturou paixão, moralidade e a imprensa da época. 

Principais Detalhes:

Identidade: Nascida Romilda Macchiaverni, era também conhecida como Olga Romano.

Contexto: Atuou em uma São Paulo em transformação, onde sua figura estigmatizada contrastava com os papéis femininos impostos na época.

O Crime (1923): Moacir Piza, após um relacionamento de dois anos, matou Nenê Romano e, em seguida, cometeu suicídio no táxi.

Legado: Sua história virou crônica urbana e foi alvo de estudos sobre feminicídio, o papel da imprensa e a criminalização da prostituição na década de 1920.

A obra "Quem se importa?: a história de Nenê Romano", de Edilene Neves, é baseada em sua trajetória. 

O caso é lembrado como um dos episódios marcantes da crônica policial e social da capital paulista.

No trabalho feito pela USP: Christiane Manolio Valladão Flores:

Quem é Nenê Romano? 

Numa primeira sondagem das fontes, é possível observar representações e imagens dessa mulher/prostituta, que são frequentes na imprensa paulista do início do século XX. No jornal "O Combate", de 26 de outubro de 1923, um dia após a sua morte, uma foto de Nenê ilustra a principal matéria de capa:
 
 "Paixão Fatal. O Dr. Moacyr Piza, num momento irreflectido, assassina a tiros de revólver a conhecida mundana Nenê Romano e suicida-se em seguida".

O primeiro parágrafo já resume quem seria a "mundana" e o "doutor" que perdeu a cabeça por culpa dela, a matou e tirou a própria vida: 

"Matou-se Moacyr Piza, o brilhante, o audaz, o valoroso escriptor que todo São Paulo admirava. Matou-se depois de ter matado Nenê Romano, a mulher fatal, que tinha um rosto de anjo e uma alma perversa".

Mais adiante, as definições sobre a vítima/vilã se intensificam: 

"Nenê Romano, flôr de rua e da lama, mulher do povo e contra o povo, que possuia o sorriso que accendia os mais perigosos fogos da paixão torturante e louca; o mais completo symbolo da leviandade e da perversidade muliebre conseguiu, com a suggestão da mulher que faz soffrer e ri, armar o braço de Moacyr Piza e desafiar a morte."

Romilda Macchiaverni, filha de imigrantes italianos pobres vindos ao Brasil em busca de uma vida melhor, encontrou sustento na prostituição, primeiro com a alcunha de Olga Romano e depois, com seu codinome mais famoso, Nenê Romano. 

Tornou-se uma das principais prostitutas de São Paulo do final do anos 1910 e início dos anos 1920. Circulando em espaços de poder da cidade como amante de políticos importantes da Primeira República, teve a "audácia" de exigir seus direitos como cidadã na Justiça, mesmo considerada à margem da sociedade, depois de sofrer uma entre tantas violências que enfrentou como cortesã. 

Nenê fica mais conhecida ao protagonizar duas situações de violência de gênero que foram destaque na imprensa. Na primeira, é navalhada no rosto a mando de Sinhazinha Junqueira, filha de Iria Junqueira, a maior exportadora de café do Brasil e quiçá do mundo, com seus domínios na região de Ribeirão Preto, interior paulista, e uma das pessoas mais influentes da política nacional.

Sinhazinha era amante do Secretário dos Negócios do Interior de São Paulo, Oscar Rodrigues Alves, o Kaká (filho do presidente da República Rodrigues Alves), com quem Nenê também mantinha um caso e foi vista trocando gracejos publicamente. 

Após ter o rosto cortado com uma navalha por capangas de Sinhazinha – num episódio de vingança por ciúme, Nenê buscou a Justiça para incriminar os culpados e receber indenização, mesmo consciente de que os criminosos eram ligados à importantes figuras de poder. 

Na segunda situação, Nenê é morta a tiros por seu amante, Moacyr de Toledo Piza, proeminente advogado de família ilustre paulistana, que tira a própria vida na sequência ao assassinato. Apesar de ser vítima de um relacionamento amoroso abusivo e de um crime passional, Nenê é tratada como culpada nas páginas dos periódicos simplesmente por ser uma "mundana", como muitas vezes é adjetivada. 

Assim como, atualmente as mídias hegemônicas insistem em "inventar" que as pessoas tem que se "moldar" à magreza, a ser influenciador, em ser jogador de futebol, e outros rótulos para criar um monte de pessoas frustradas, na época de Nenê, ela foi considerada "culpada" por ser bonita, articulada, influente, "culpada" por ser mulher e a sociedade hipócrita a procurar para momentos de prazer.

Dizia-se que eram tantos os seus admiradores que passou a exercer influência no próprio Governo do Estado. Falava-se também, que "Nenê Romano" era a preferida do Senador Rodrigues Alves. Chegou a participar como convidada das festividades oficiais do 7 de setembro e 15 de novembro ao lado de políticos, inclusive do Presidente do Estado, Washington Luiz. 

O ódio gera "grana" e a "grana" compra impunidade - mas a dignidade sai pelo ralo a cada noite, a cada morte. E, como sempre os "jornalões" só pensam em "parecer" honestos, porque ser HONESTO de verdade não dá dinheiro.




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06/02/2026

Fevereiro começa com pacto contra o feminicídio

Feminicídio e silêncio: até quando?


O Brasil começou fevereiro com uma média brutal: quatro mulheres assassinadas por feminicídio todos os dias e cerca de dez tentativas diárias. Em 2025, foram 1.518 mulheres mortas, o maior número desde que a lei foi sancionada. Entre 2020 e 2025, já são 8.557 vidas interrompidas.

Nesta semana, os Três Poderes anunciaram um Pacto Nacional contra o feminicídio. Mas até agora, o que temos são discursos e promessas. Enquanto isso, 336 condenados ou suspeitos seguem com mandados de prisão em aberto. A impunidade é tão estrutural quanto a violência.

E os nomes dessas mulheres?
Quase nunca aparecem. Viram estatística, invisíveis nas manchetes nacionais. Essa invisibilização é também uma forma de violência: transforma vidas em números, memórias em silêncio. 

Mesmo quem tenta monitorar os dados enfrenta obstáculos: o Mapa da Violência tem falhas graves, incluindo subnotificações. Ou seja, os números oficiais já são assustadores, mas a realidade pode ser ainda pior.




Em memória das mulheres que não deveriam ter partido:

Cristiane Moraes da Silva, de 43 anos, Santo André/SP - 05/02/2026 e

Patrícia de Fátima Oliveira, de 47 anos - S.J. da Boa Vista/MG - 06/02/2026

Seus nomes permanecem como alerta e memória.



Agora, às vésperas do Carnaval, surgem campanhas como “Não é Não”, “Se liga ou eu ligo 180” e “Diversão Sim, Importunação Não!”

São iniciativas necessárias, mas sabemos que não bastam slogans. As mulheres continuam tendo que se proteger, vigiar, andar em grupo, denunciar — porque a festa, que deveria ser liberdade, ainda carrega o risco da violência.

Enquanto nos distraem com futebol, reality shows e o velho pão e circo midiático, mulheres continuam morrendo. Não podemos aceitar migalhas, nem campanhas superficiais. Respeito não é concessão, é direito.

“Não compartilhe silêncio. Compartilhe resistência.”



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03/02/2026

Entre desenhos, dramas coreanos...

Entre desenhos, dramas coreanos e a dor que não cala: por que precisamos falar sobre feminicídio

Quem me segue deve estar curiosa sobre o motivo de eu querer aproximar as pessoas das vítimas de feminicídio.

Talvez porque, mesmo quando estou buscando refúgio em algo leve — como meus desenhos de Zentangle ou os seriados coreanos que me encantam — a realidade insiste em bater à porta.

Estou assistindo a dois dramas na Netflix: Guerra de Promotores (legendado) e Você Estava Lá (dublado). E foi justamente o primeiro episódio de Você Estava Lá que me impactou mais do que qualquer filme de terror. A forma como a violência doméstica é retratada, o silêncio que cerca a vítima, o medo que paralisa… tudo isso me trouxe de volta a lembranças que preferia esquecer.

Quando Eloá foi assassinada em 2008 (post), em plena rede nacional, senti um enjoo profundo. Pensei na mãe, nos parentes, no luto que não passa. E no ano passado, quando Larissa, professora de Pilates aqui de Ribeirão Preto, foi morta, percebi que estávamos novamente mergulhados em uma epidemia silenciosa.

Comecei a assistir vídeos de “True Crimes” e constatei que a situação poderia ser ainda pior do que eu imaginava.

Queria comentar no blog, mas nele eu queria falar sobre arte, sobre Zentangle, sobre paz e desenhos...

Infelizmente, não ecoa. Meu momento “paz e amor” não reverbera, e isso me impede de aprofundar meus receios.

Quando administrava um grupo no Yahoo, não conseguia abordar o tema da violência doméstica. As mulheres já estavam sobrecarregadas com seus afazeres e responsabilidades.

No Facebook, senti a mesma coisa. O assunto sempre girava em torno de casa, filhos, relacionamentos — a mulher sempre sobrecarregada com tudo.

Queria ser o apoio para o “pedido de socorro”. Cada vez que alguém saía do grupo, me dava medo de que estivesse sendo abusada. Algumas confirmações chegavam, mas nunca confiavam em mim.

Eu também fui vítima. Meu ex-marido me batia, me ofendia. Quando eu dizia que iria denunciá-lo, ele ria e dizia que contaria ao delegado que eu mesma me feria. Em 1992, não havia nenhuma lei para nos proteger.

Por isso, em 2026, decidi citar, sempre que puder, uma vítima. Não quero chocar. Não vou parar de desenhar — aliás, não parei. 

 Em MEMÓRIA:  

Luana Maria Braga de Santana, 33 anos, em São Lourenço da Mata (PE) e Ana Paula Perpétuo, 41 anos,  em Lindóia (SP), foram assassinadas no dia 02/02/2026. O caso está sendo investigado como feminicídio. Duas vidas interrompidas pela violência de gênero. Que suas histórias não sejam esquecidas.



 

Continuo com meu desafio de leitura (lento, mas contínuo), continuo praticando Zentangle (fevereiro não tem desafio), e sigo desenhando com base nos livros que tenho acesso.

Os desenhos, os livros, os dramas coreanos e o parceiro de jornada que é meu esposo agora me ajudam a acreditar que o mundo ainda tem jeito. Não podemos desistir do Bem.

Não, eu não tive apoio jurídico em 1992. As pessoas fingem que não sabem o que acontece em casa. As mulheres têm vergonha, porque muitas continuam casadas.

Sim, precisamos estar presentes para que a mulher não seja tão dependente, que não tenha filhos sem estar em um relacionamento com um ser humano decente de verdade. Há muitas frentes para serem combatidas, e a informação é minha única arma por enquanto. O meu blog é meu único lugar para plantar essa semente. 

Se informe, peça ajuda: 

https://www.cfemea.org.br/

https://bemquerermulher.org.br/

https://cepia.org.br/ 

https://agenciapatriciagalvao.org.br/

É isso — até a próxima postagem. E quem sabe, um dia, teremos um mundo onde as estatísticas de feminicídio zerem.


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