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Da dor à resistência: a história de lutas que nos convoca à união
O Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março, não nasceu de homenagens superficiais, mas da dor e da luta. É uma data que carrega a memória de mulheres que morreram em fábricas, em protestos e nas mãos da violência, e que nos convoca à resistência e à união.
Em 1911, um incêndio na fábrica Triangle Shirtwaist, em Nova Iorque, matou mais de 140 mulheres operárias. Elas estavam trancadas dentro do prédio, sem rotas de fuga, porque os patrões temiam que saíssem para descansar. Jovens, muitas imigrantes, reivindicavam jornadas dignas e salários justos. Suas mortes se tornaram símbolo da exploração e da urgência de mudança.
Poucos anos depois, em 1917, mulheres russas foram às ruas exigir pão e paz, enfrentando repressão e marcando a história da Revolução. Esses episódios revelam que o 8 de março é um marco de resistência, não de flores.
Em 1977, a ONU oficializou o Dia Internacional da Mulher, transformando-o em símbolo global de luta por igualdade de gênero.
O termo sororidade vem do latim soror, que significa “irmã”. Ele surgiu em contextos acadêmicos e feministas para expressar a ideia de solidariedade entre mulheres, como contraponto ao individualismo e à rivalidade incentivados pela sociedade patriarcal.
Na década de 1970, com a expansão dos movimentos feministas, o conceito ganhou força como prática política e social: mulheres se reconhecendo como parte de uma mesma luta, apoiando-se mutuamente contra desigualdades e violências. Hoje, sororidade é entendida como uma postura ética e afetiva que busca acolhimento, escuta e união, transformando experiências individuais em força coletiva.
Mais de um século depois das primeiras manifestações, ainda vemos mulheres sendo silenciadas, violentadas e mortas. E, pior, há quem defenda ou relativize essas violências, como se a vida feminina fosse menos valiosa.
Os números confirmam essa realidade:
A violência não é apenas física: ela se manifesta também na exclusão econômica e política.
Durante séculos, o casamento foi tratado como uma transação de propriedade, em que a mulher passava da tutela do pai para a do marido. Essa lógica de posse deixou marcas profundas na cultura e ainda hoje se manifesta em comportamentos abusivos, no controle sobre a vida feminina e na violência doméstica.
A filósofa Silvia Federici, em obras como O Patriarcado do Salário e Calibã e a Bruxa, mostra como o capitalismo reforçou essa estrutura ao transformar o corpo e o trabalho das mulheres em extensão da propriedade masculina. Para ela, compreender essa origem é essencial para entender por que tantas mulheres ainda são tratadas como objetos de domínio e por que a luta pela sororidade e pela igualdade é tão urgente.
A sororidade também se materializa em iniciativas concretas. No Brasil, diversas organizações e programas oferecem acolhimento e suporte às mulheres:
Essas iniciativas mostram que nenhuma mulher está sozinha. Apoiar e divulgar essas redes é um ato de sororidade que pode salvar vidas.

Transformemos a dor em força, e a força em mudança. Cada mulher precisa ser voz ativa contra a violência, a desigualdade salarial e a exclusão dos espaços de poder. Unidas na luta, somos mais fortes.
Estamos chegando perto do Dia Internacional da Mulher. Uma data que deveria ser de celebração, mas que, para mim, é também um lembrete doloroso: ainda precisamos falar sobre a violência contra nós.
Hoje acordei com a notícia de que o feminicídio aumentou. Se antes eram quatro mulheres assassinadas por dia, agora são quase seis. Seis vidas arrancadas, seis histórias que não vão mais se cumprir. E atrás de cada uma dessas mortes, há filhos que ficam órfãos. Em 2025, foram mais de 1.600 crianças. Quatro por dia. É como se a violência contra a mulher tivesse o poder de roubar não só a mãe, mas também o futuro das crianças.
Nos bastidores do poder
E como se não bastasse, vemos casos como o do banqueiro Daniel Vorcaro. Festas luxuosas, convidados filmados e depois chantageados. Mulheres estrangeiras usadas, sem sabermos sequer o destino delas. Esse silêncio sobre o que aconteceu com elas é, por si só, uma violência.
É duro perceber que a exploração feminina não está só nas ruas ou nas casas. Ela se infiltra nos corredores do poder, nos negócios milionários, nos jogos de chantagem. A violência contra mulheres tem muitas faces, mas todas deixam marcas profundas.
Violência que atravessa fronteiras
Ontem, sessenta meninas iranianas morreram em uma escola. Sessenta futuros apagados em um só dia. E eu penso: não importa se é aqui, no Brasil, ou lá fora, em um país distante. A violência contra mulheres e meninas é global. Ela atravessa culturas, religiões, fronteiras. Sempre com o mesmo resultado: vidas interrompidas, sonhos roubados, silêncios impostos.
Essas violências não estão em manchetes frias. Elas estão diante de nós, pedindo que não desviemos o olhar. Porque cada silêncio é cúmplice, e cada palavra pode ser resistência.
No dia 8 de março, não basta celebrar. É preciso lembrar, denunciar e resistir.