04/02/2026

A violência que insiste em existir

Entre pactos, trabalhadoras e contradições: a violência que insiste em existir

Nesta semana, o Brasil testemunhou a assinatura do Pacto Nacional contra o Feminicídio, um compromisso histórico dos Três Poderes para enfrentar a violência contra mulheres. Um gesto necessário diante de números assustadores: mais de 156 mil denúncias de violência em apenas 12 meses no disque Denúncia 180 e um recorde de feminicídios em 2025.

Hoje, porém, temos um respiro: não há feminicídios noticiados. Esse silêncio momentâneo não significa ausência de violência, mas é simbólico que aconteça justamente na semana do pacto. É como se a realidade nos desse um intervalo para lembrar que a luta não é só contra a tragédia, mas também pela esperança.


Mas enquanto o pacto tenta dar respostas, a cultura que sustenta essa violência continua exposta em diferentes espaços — inclusive na ficção.

No episódio que assisti ontem na série Guerra dos Promotores (#NETFLIX), vimos retratado o machismo estrutural que atravessa a vida das mulheres:

  • O preconceito contra aquelas que trabalham fora e têm filhos, vistas como “menos produtivas” pelos empregadores.
  • A crítica injusta que compara a produtividade feminina com a masculina, ignorando o peso da dupla jornada.
  • A rotina desigual: mães que acordam quase duas horas antes dos maridos, mulheres solteiras que levantam uma hora e meia antes dos homens, e até a promotora casada que, mesmo acordando antes de todos, chegou atrasada porque precisava levar os filhos ao hospital.
  • A violência maliciosa de culpar a mulher bonita e sedutora por ser assediada, como se a responsabilidade fosse dela.

Essas cenas revelam a violência silenciosa que não aparece nas estatísticas de feminicídio, mas que corrói diariamente a vida das mulheres. É o peso invisível de acordar antes, carregar responsabilidades, ser julgada por sua aparência e ainda ter sua competência questionada.





Em memória das mulheres que não deveriam ter partido

Beatriz Maria Oliveira de Souza, de 28 anos, Recife - 04/02/2026 e

Jane Cristina Montiel Gobatto, de 54 anos - Bento Gonçalves - 19/04/2025

Seus nomes permanecem como alerta e memória.




A contradição institucional e empresarial

Enquanto o Congresso votou a redução de carga horária e aumento de ganhos de dinheiro para os parlamentares, criando mecanismos para pagar salários até nas folgas, trabalhadores comuns seguem enfrentando jornadas exaustivas, horas no trânsito, falta de convívio familiar, um monte de prejuízos que é difícil enumerar.

Em Ribeirão Preto, por exemplo, a rede Savegnago anunciou a escala 5x2 como se fosse modernização, mas relatos indicam que a mudança veio acompanhada da redução do horário de almoço e aumento da carga diária — uma maquiagem que mantém a exploração e uso indevido dos noticiários como forma de se promover como pioneira.

Essa contradição mostra que o machismo estrutural não está só nas casas e nas séries, mas também nas instituições e empresas que deveriam garantir dignidade.


Reflexão

O Pacto Nacional é um passo importante, mas não basta. A violência contra mulheres não se limita ao ato extremo do feminicídio: ela está também nos olhares, nas críticas, nas comparações injustas e nas rotinas desiguais que a ficção escancara e a realidade confirma.

Que cada denúncia, cada nome lembrado e cada cena exposta sirvam para reforçar que não é “culpa” da mulher — é responsabilidade de toda a sociedade mudar essa estrutura. E que possamos valorizar  o dia de respiro sem tragédia, como sinal de que será possível construir um futuro diferente.

“Hoje poderíamos respirar esperança - mas...

...enquanto isso seguiremos vigilantes.”

Informe-se, peça ajuda: 

https://www.cfemea.org.br/

https://bemquerermulher.org.br/

https://cepia.org.br/ 

https://agenciapatriciagalvao.org.br/



 

03/02/2026

Entre desenhos, dramas coreanos...

Entre desenhos, dramas coreanos e a dor que não cala: por que precisamos falar sobre feminicídio

Quem me segue deve estar curiosa sobre o motivo de eu querer aproximar as pessoas das vítimas de feminicídio.

Talvez porque, mesmo quando estou buscando refúgio em algo leve — como meus desenhos de Zentangle ou os seriados coreanos que me encantam — a realidade insiste em bater à porta.

Estou assistindo a dois dramas na Netflix: Guerra de Promotores (legendado) e Você Estava Lá (dublado). E foi justamente o primeiro episódio de Você Estava Lá que me impactou mais do que qualquer filme de terror. A forma como a violência doméstica é retratada, o silêncio que cerca a vítima, o medo que paralisa… tudo isso me trouxe de volta a lembranças que preferia esquecer.

Quando Eloá foi assassinada em 2008 (post), em plena rede nacional, senti um enjoo profundo. Pensei na mãe, nos parentes, no luto que não passa. E no ano passado, quando Larissa, professora de Pilates aqui de Ribeirão Preto, foi morta, percebi que estávamos novamente mergulhados em uma epidemia silenciosa.

Comecei a assistir vídeos de “True Crimes” e constatei que a situação poderia ser ainda pior do que eu imaginava.

Queria comentar no blog, mas nele eu queria falar sobre arte, sobre Zentangle, sobre paz e desenhos...

Infelizmente, não ecoa. Meu momento “paz e amor” não reverbera, e isso me impede de aprofundar meus receios.

Quando administrava um grupo no Yahoo, não conseguia abordar o tema da violência doméstica. As mulheres já estavam sobrecarregadas com seus afazeres e responsabilidades.

No Facebook, senti a mesma coisa. O assunto sempre girava em torno de casa, filhos, relacionamentos — a mulher sempre sobrecarregada com tudo.

Queria ser o apoio para o “pedido de socorro”. Cada vez que alguém saía do grupo, me dava medo de que estivesse sendo abusada. Algumas confirmações chegavam, mas nunca confiavam em mim.

Eu também fui vítima. Meu ex-marido me batia, me ofendia. Quando eu dizia que iria denunciá-lo, ele ria e dizia que contaria ao delegado que eu mesma me feria. Em 1992, não havia nenhuma lei para nos proteger.

Por isso, em 2026, decidi citar, sempre que puder, uma vítima. Não quero chocar. Não vou parar de desenhar — aliás, não parei. 

 Em MEMÓRIA:  

Luana Maria Braga de Santana, 33 anos, em São Lourenço da Mata (PE) e Ana Paula Perpétuo, 41 anos,  em Lindóia (SP), foram assassinadas no dia 02/02/2026. O caso está sendo investigado como feminicídio. Duas vidas interrompidas pela violência de gênero. Que suas histórias não sejam esquecidas.



 

Continuo com meu desafio de leitura (lento, mas contínuo), continuo praticando Zentangle (fevereiro não tem desafio), e sigo desenhando com base nos livros que tenho acesso.

Os desenhos, os livros, os dramas coreanos e o parceiro de jornada que é meu esposo agora me ajudam a acreditar que o mundo ainda tem jeito. Não podemos desistir do Bem.

Não, eu não tive apoio jurídico em 1992. As pessoas fingem que não sabem o que acontece em casa. As mulheres têm vergonha, porque muitas continuam casadas.

Sim, precisamos estar presentes para que a mulher não seja tão dependente, que não tenha filhos sem estar em um relacionamento com um ser humano decente de verdade. Há muitas frentes para serem combatidas, e a informação é minha única arma por enquanto. O meu blog é meu único lugar para plantar essa semente. 

Se informe, peça ajuda: 

https://www.cfemea.org.br/

https://bemquerermulher.org.br/

https://cepia.org.br/ 

https://agenciapatriciagalvao.org.br/

É isso — até a próxima postagem. E quem sabe, um dia, teremos um mundo onde as estatísticas de feminicídio zerem.


02/02/2026

Feminicídios no Brasil: números alarmantes e tragédias recentes

Feminicídios no Brasil: números alarmantes e tragédias recentes

#Nicole Mercer Merheje Morta na Cidade de São Paulo +1
Imagem Linkedin

Não será só mais UMA - Hoje pode morrer + 4 mulheres
e ela pode ser EU ou VOCÊ!!

O início de 2026 já expõe a dura realidade da violência de gênero no Brasil. Os Feminicídios seguem em alta, com registros em diversos estados e histórias que chocam pela brutalidade e pelo impacto social.


📊 Levantamento Nacional

  • 2025 encerrou com 1.470 mulheres mortas por Feminicídio, o maior número já registrado.
  • Entre 2020 e 2025, foram 8.557 vítimas.
  • Estados como São Paulo, Alagoas, Pernambuco e Paraíba ainda não consolidaram os dados de dezembro, o que pode elevar os números.
  • Em muitos casos, os autores são companheiros ou ex-companheiros, motivados por ciúmes ou pela não aceitação do término.

Rio Grande do Sul

  • Janeiro de 2026 já contabiliza 10 feminicídios confirmados.
  • Mais de 30 tentativas foram registradas apenas nos primeiros 26 dias do ano.
  • As vítimas, em sua maioria, tinham entre 15 e 59 anos, muitas delas mães.

Caso em São Paulo

No último fim de semana, uma tragédia ganhou destaque nacional:

  • Uma mulher de 34 anos foi encontrada morta em seu apartamento na Zona Sul de São Paulo.

  • Ao lado do corpo, estava sua filha de 2 anos, desidratada e com sinais de agressão.

  • O principal suspeito é o ex-companheiro da vítima, que está foragido.

  •  Ele possui um histórico extenso de violência doméstica, com acusações feitas por outras duas mulheres em 2023 e 2024, tendo chegado a ser preso em uma das ocasiões.

  • A vítima havia registrado boletim de ocorrência contra ele em outubro de 2025

  • A Polícia Civil trata o caso como feminicídio, reforçando o padrão recorrente de violência doméstica.

📰 Detalhes do Caso

  • Local: Zona Sul de São Paulo.
  • Data: manhã de domingo, 1º de fevereiro de 2026.
  • VítimaNicole Mercer Merheje, mulher de 34 anos, encontrada morta dentro do apartamento.
  • Criança: filha de 2 anos, localizada ao lado do corpo, apresentava sinais de agressão, desidratação e indícios de abuso.
  • Suspeito: ex-companheiro da vítima, apontado como principal responsável, está foragido.
  • Investigação: conduzida pela Polícia Civil, que trata o caso como feminicídio e violência doméstica.


Impacto Social

O feminicídio não afeta apenas as mulheres diretamente vitimadas. Crianças, familiares e comunidades inteiras ficam marcados por traumas e pelo abandono. O caso em São Paulo é um retrato cruel dessa realidade: uma criança exposta à violência e ao desamparo, consequência direta da falta de proteção eficaz.


Reflexão e Chamado à Ação

Os números e casos recentes reforçam a urgência de políticas públicas de prevenção, acolhimento e resposta rápida às denúncias. O feminicídio é um crime de gênero que escancara desigualdades estruturais e exige ação imediata da sociedade e das autoridades.

Não podemos naturalizar esses números. Cada estatística representa uma vida interrompida, uma família destruída, uma criança órfã. É preciso:

  • Fortalecer canais de denúncia e garantir proteção imediata às vítimas.
  • Investir em políticas de prevenção e educação para combater a cultura machista que sustenta essa violência.
  • Mobilizar a sociedade: vizinhos, amigos e familiares têm papel fundamental em não se calar diante de sinais de abuso.

O feminicídio é uma ferida aberta no Brasil. E só será cicatrizada quando houver compromisso coletivo em proteger mulheres e crianças, garantindo que histórias como a da mãe encontrada morta em São Paulo não se repitam.

Até quando vamos aceitar que a vida das mulheres seja tratada como estatística?

Até quando vamos tolerar que medidas protetivas sejam apenas papel, sem eficácia real?

O que deveria estar em alta

#FeminicidioÉReal #MisoginiaNão #ViolenciaContraMulheres #TransparenciaAlgoritmo #mulherassassinada #NãoÉCasoIsolado #ContraAViolência  #FalhaDoSistema #JustiçaporNicole #Basta


30/01/2026

Mulheres seguem morrendo: o caso de Novo Barreiro/RS

Enquanto discutimos paredão, mulheres seguem morrendo: o caso de Novo Barreiro

#Agricultora morta no Rio Grande do Sul  +1

Não será só mais UMA - Hoje morrerão + 4 mulheres
e ela pode ser EU ou VOCÊ!!

Ontem, em Novo Barreiro, uma cidade de pouco mais de 4 mil habitantes no norte do Rio Grande do Sul, mais uma mulher foi assassinada pelo próprio companheiro.

"Marlei de Fátima Froelick, 53 anos, é lembrada por amigos e parentes como uma agricultora trabalhadora que adorava os animais (de GZH)..."

Marlei de Fátima Froelick, 53 anos, foi morta a tiros ao abrir o portão da propriedade rural da família. O homem estava escondido na mata e a surpreendeu. Esse foi o 11º feminicídio registrado no estado em 2026 — e ainda estamos em janeiro.

Ela pediu ajuda. O Estado falhou.

#Marlei não foi uma vítima silenciosa. Ela registrou ocorrência, solicitou medida protetiva e a Justiça concedeu a proteção no dia anterior ao crime.
Mas o agressor não havia sido notificado. No dia seguinte, ela foi morta.
Esse detalhe revela uma falha estrutural: não basta reconhecer o feminicídio como crime, é preciso garantir que a proteção chegue a tempo.

A invisibilidade da violência

Casos como o de #Marlei raramente viralizam nas redes. Não ocupam manchetes por dias. Não geram debates nacionais.

A indignação coletiva é seletiva: alguns crimes chocam, outros viram apenas números.

Essa invisibilidade é também uma forma de violência.

O paredão que ninguém discute

No paredão do #BBB2026, alguém sai da casa.


No paredão da vida real, mulheres saem da vida.

E o país segue discutindo entretenimento enquanto a cultura da violência contra mulheres permanece intacta.

Até quando vamos aceitar que a vida das mulheres seja tratada como estatística, enquanto o espetáculo ocupa o centro da atenção?

Até quando vamos tolerar que medidas protetivas sejam apenas papel, sem eficácia real?


O que deveria estar em alta

#FeminicidioÉReal #MisoginiaNão #ViolenciaContraMulheres #TransparenciaAlgoritmo #agricultora #riograndedosul #RS #mulherassassinada #EduardoLeite #NãoÉCasoIsolado #ContraAViolência #ParedaoBBB #FalhaDoSistema #Basta