Entre pactos, trabalhadoras e contradições: a violência que insiste em existir
Nesta semana, o Brasil testemunhou a assinatura do Pacto Nacional contra o Feminicídio, um compromisso histórico dos Três Poderes para enfrentar a violência contra mulheres. Um gesto necessário diante de números assustadores: mais de 156 mil denúncias de violência em apenas 12 meses no disque Denúncia 180 e um recorde de feminicídios em 2025.
Hoje, porém, temos um respiro: não há feminicídios noticiados. Esse silêncio momentâneo não significa ausência de violência, mas é simbólico que aconteça justamente na semana do pacto. É como se a realidade nos desse um intervalo para lembrar que a luta não é só contra a tragédia, mas também pela esperança.
No episódio que assisti ontem na série Guerra dos Promotores (#NETFLIX), vimos retratado o machismo estrutural que atravessa a vida das mulheres:
- O preconceito contra aquelas que trabalham fora e têm filhos, vistas como “menos produtivas” pelos empregadores.
- A crítica injusta que compara a produtividade feminina com a masculina, ignorando o peso da dupla jornada.
- A rotina desigual: mães que acordam quase duas horas antes dos maridos, mulheres solteiras que levantam uma hora e meia antes dos homens, e até a promotora casada que, mesmo acordando antes de todos, chegou atrasada porque precisava levar os filhos ao hospital.
- A violência maliciosa de culpar a mulher bonita e sedutora por ser assediada, como se a responsabilidade fosse dela.
Essas cenas revelam a violência silenciosa que não aparece nas estatísticas de feminicídio, mas que corrói diariamente a vida das mulheres. É o peso invisível de acordar antes, carregar responsabilidades, ser julgada por sua aparência e ainda ter sua competência questionada.

Beatriz Maria Oliveira de Souza, de 28 anos, Recife - 04/02/2026 e
Jane Cristina Montiel Gobatto, de 54 anos - Bento Gonçalves - 19/04/2025
Seus nomes permanecem como alerta e memória.
A contradição institucional e empresarial
Enquanto o Congresso votou a redução de carga horária e aumento de ganhos de dinheiro para os parlamentares, criando mecanismos para pagar salários até nas folgas, trabalhadores comuns seguem enfrentando jornadas exaustivas, horas no trânsito, falta de convívio familiar, um monte de prejuízos que é difícil enumerar.
Em Ribeirão Preto, por exemplo, a rede Savegnago anunciou a escala 5x2 como se fosse modernização, mas relatos indicam que a mudança veio acompanhada da redução do horário de almoço e aumento da carga diária — uma maquiagem que mantém a exploração e uso indevido dos noticiários como forma de se promover como pioneira.
Essa contradição mostra que o machismo estrutural não está só nas casas e nas séries, mas também nas instituições e empresas que deveriam garantir dignidade.
Reflexão
O Pacto Nacional é um passo importante, mas não basta. A violência contra mulheres não se limita ao ato extremo do feminicídio: ela está também nos olhares, nas críticas, nas comparações injustas e nas rotinas desiguais que a ficção escancara e a realidade confirma.
Que cada denúncia, cada nome lembrado e cada cena exposta sirvam para reforçar que não é “culpa” da mulher — é responsabilidade de toda a sociedade mudar essa estrutura. E que possamos valorizar o dia de respiro sem tragédia, como sinal de que será possível construir um futuro diferente.
“Hoje poderíamos respirar esperança - mas...
...enquanto isso seguiremos vigilantes.”
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