Hoje, não é um bom dia - nem formal, nem informalmente - é um dia muito triste!
Ontem à noite, conversando com minha prima, ela estava muito triste por vários motivos, mas - principalmente, por, depois de tantos anos sem assistir a TV aberta, acabou vendo a reportagem sobre o "casamento" de uma menina de 12 anos com um abusador de 35 anos.
Ao ouvir as notícias hoje no ICL - qual não foi a minha surpresa que a "justificativa" para "legalizarem" esse abuso de vulnerável, é porque a menina usa o termo "esposo" para o canalha envolvido nessa história - e para fechar - a criança - além de não ir à escola, também é mãe... o que dói nessa história é a permissividade da família...
Mas, ao fazer uma pesquisa mais acurada, descobri que essa criminalidade está tão "normalizada" que nem todas as denúncias resolverão se a sociedade não levar BEM A SÉRIO e estancar esse sangramento, que com certeza é a base para tornar o feminicídio o desfecho macabro do destino das mulheres - porque tem que se entender: o ser humano do gênero feminino está sendo morta, por ser mulher e não querer mais um relacionamento abusivo... gritar BASTA já não parece ser o suficiente.
Casamento Infantil: A Infância Roubada e a Violência Normalizada
A lei ao falhar, legitima a violência
No Brasil, ainda em 2024, 193 casamentos civis de menores de 16 anos foram registrados em cartórios. O Censo mostra que 34 mil meninas entre 10 e 14 anos vivem em união conjugal. Esses números não são exceções isoladas: são sintomas de uma cultura que insiste em transformar abuso em tradição.
Quando uma autoridade permite que uma menina de 12 anos se case com um homem de 35, não está apenas cometendo uma injustiça legal. Está normalizando o abuso e ensinando à sociedade que o corpo da criança pode ser negociado, que a violência pode ser disfarçada de casamento.
As camadas invisíveis do abuso
O casamento infantil não é apenas uma união precoce. Ele carrega múltiplas camadas de violência:
- Camada psicológica: meninas submetidas a uniões forçadas desenvolvem traumas, ansiedade, depressão e dificuldade de estabelecer relações saudáveis.
- Camada física: gravidez precoce, riscos à saúde e complicações médicas são comuns.
- Camada social: abandono escolar e dependência econômica perpetuam o ciclo de pobreza e submissão.
- Camada cultural: mães que foram abusadas muitas vezes, sem perceber, reproduzem o mesmo destino para suas filhas, acreditando que “é o normal”.
Essa repetição gera uma herança de violência: mulheres que não tiveram infância plena acabam aceitando abusos como parte inevitável da vida, e isso perpetua o ciclo.
ser julgada por sua aparência e ainda ter sua competência questionada.

Roseli Vanda Pires Albuquerque, de 47 anos, Nova Prata, RS - 21/02/2026
Glai Maria da Costa, de 48 anos - Mostardas/RS - 20/02/2025
Não Divulgado, de 34 anos (esquartejada), São Paulo Zona Sul/SP - 19/02/26
Giovana Aparecida, de 19 anos, Itanhaém/SP 20/02/26-
Seus nomes permanecem como alerta e memória.
A ponte para o feminicídio
O Brasil é um dos países com maiores índices de violência contra mulheres.
- Em 2022, foram registrados 4.041 feminicídios.
- Em 2024, houve mais de 87 mil casos de violência sexual infantil, o maior número da série histórica.
Esses dados não estão desconectados. O casamento infantil é a porta de entrada para a violência de gênero. Meninas que crescem em uniões abusivas aprendem desde cedo que sua voz não importa. Essa cultura de silenciamento e submissão é a mesma que, anos depois, se traduz em feminicídios.
Cada casamento infantil é uma semente plantada na terra fértil da desigualdade. E dessa semente brotam o abuso, a violência e, muitas vezes, a morte.
O ciclo que precisa ser quebrado
O mais doloroso é perceber que muitas mulheres, por terem sido abusadas, não reconhecem o abuso em si mesmas e acabam reproduzindo o mesmo destino para suas filhas.
É um ciclo de gerações:
- A avó foi casada cedo.
- A mãe foi abusada e silenciada.
- A filha é entregue ao mesmo destino.
Romper esse ciclo exige consciência coletiva. É preciso abrir os olhos para entender que o casamento infantil não é cultura, não é tradição, não é escolha. É abuso institucionalizado.
- O casamento infantil é a raiz de uma árvore doente que dá frutos amargos: violência doméstica, abuso sexual, feminicídio.
- Proteger a infância é proteger o futuro.
- Dizer não ao casamento infantil é dizer não ao feminicídio.
Informe-se, peça ajuda:
“Proteger a infância é proteger a vida. Dizer não ao casamento infantil é dizer não ao feminicídio. Que nenhuma menina seja entregue ao abuso, e que nenhuma mulher seja morta por resistir.”
“Compartilhe este texto. Cada voz que se levanta ajuda a romper o silêncio.”














