06/02/2026

Fevereiro começa com pacto contra o feminicídio

Feminicídio e silêncio: até quando?


O Brasil começou fevereiro com uma média brutal: quatro mulheres assassinadas por feminicídio todos os dias e cerca de dez tentativas diárias. Em 2025, foram 1.518 mulheres mortas, o maior número desde que a lei foi sancionada. Entre 2020 e 2025, já são 8.557 vidas interrompidas.

Nesta semana, os Três Poderes anunciaram um Pacto Nacional contra o feminicídio. Mas até agora, o que temos são discursos e promessas. Enquanto isso, 336 condenados ou suspeitos seguem com mandados de prisão em aberto. A impunidade é tão estrutural quanto a violência.

E os nomes dessas mulheres?
Quase nunca aparecem. Viram estatística, invisíveis nas manchetes nacionais. Essa invisibilização é também uma forma de violência: transforma vidas em números, memórias em silêncio. 

Mesmo quem tenta monitorar os dados enfrenta obstáculos: o Mapa da Violência tem falhas graves, incluindo subnotificações. Ou seja, os números oficiais já são assustadores, mas a realidade pode ser ainda pior.




Em memória das mulheres que não deveriam ter partido:

Cristiane Moraes da Silva, de 43 anos, Santo André/SP - 05/02/2026 e

Patrícia de Fátima Oliveira, de 47 anos - S.J. da Boa Vista/MG - 06/02/2026

Seus nomes permanecem como alerta e memória.



Agora, às vésperas do Carnaval, surgem campanhas como “Não é Não”, “Se liga ou eu ligo 180” e “Diversão Sim, Importunação Não!”

São iniciativas necessárias, mas sabemos que não bastam slogans. As mulheres continuam tendo que se proteger, vigiar, andar em grupo, denunciar — porque a festa, que deveria ser liberdade, ainda carrega o risco da violência.

Enquanto nos distraem com futebol, reality shows e o velho pão e circo midiático, mulheres continuam morrendo. Não podemos aceitar migalhas, nem campanhas superficiais. Respeito não é concessão, é direito.

“Não compartilhe silêncio. Compartilhe resistência.”



05/02/2026

Como descansar a mente através da Arte?

Em dias de cansaço mental e vontade de se distrair, abrir as redes sociais parece a solução mais fácil. Mas logo vem a sobrecarga: é tanta informação misturada com desinformação, tantas notícias e polêmicas, que em vez de relaxar, a mente fica ainda mais exausta.
Existe, porém, um caminho alternativo: usar a arte como refúgio. Técnicas simples como Zentangle e Doodle não apenas ajudam a descansar a mente, como também podem ser incorporadas ao nosso uso digital. Ao escolher interagir com conteúdos criativos e construtivos, estamos educando o algoritmo — ensinando às redes que queremos mais inspiração e menos sobrecarga.


Arte como refúgio

A arte tem o poder de nos reconectar com o presente. O Zentangle, por exemplo, é uma técnica de desenho meditativo feita com padrões repetitivos. Já o Doodle é aquele rabisco espontâneo que surge quando deixamos a mão livre. Ambos funcionam como uma forma de meditação ativa: simples, acessível e eficaz para aliviar a mente.
Não é preciso ser artista. Basta papel e caneta, alguns minutos de atenção e a disposição de deixar os traços fluírem. O resultado é uma sensação de calma e foco, como se cada linha fosse um respiro.


 Educando o algoritmo com escolhas conscientes

O que consumimos nas redes molda o que elas nos entregam. Cada curtida, comentário ou compartilhamento é um sinal para o algoritmo.

  • Ao interagir com conteúdos criativos e inspiradores, ensinamos às redes que queremos mais disso.
  • Ao ignorar polêmicas e conteúdos tóxicos, evitamos reforçar o ciclo da violência digital.
  • Ao seguir artistas, páginas de arte e comunidades construtivas, ampliamos o alcance do que nos faz bem.

Assim, o simples ato de desenhar e compartilhar um Zentangle ou Doodle pode se transformar em uma estratégia inteligente para moldar o ambiente digital ao nosso favor.


Práticas simples para começar

  • Reserve alguns minutos do dia para desenhar um Zentangle ou Doodle.
  • Compartilhe suas criações nas redes, reforçando o lado positivo do algoritmo.
  • Siga perfis de arte, páginas de bem-estar e comunidades criativas.
  • Evite interagir com conteúdos tóxicos — até críticas alimentam o ciclo de engajamento.
  • Use hashtags ligadas à arte e ao bem-estar para receber mais conteúdos nesse tema.

Uma conspiração para o bem

Cada traço que você desenha e cada clique consciente que você dá é parte de uma conspiração para o bem. Ao descansar a mente com arte e educar o algoritmo com escolhas positivas, você cria não só momentos de lazer, mas também um ambiente digital mais saudável para si e para os outros.


E vocês, como encontram descanso nas redes? Compartilhe suas estratégias nos comentários e vamos fortalecer juntos essa #conspiração para o bem.

 

04/02/2026

A violência que insiste em existir

Entre pactos, trabalhadoras e contradições: a violência que insiste em existir

Nesta semana, o Brasil testemunhou a assinatura do Pacto Nacional contra o Feminicídio, um compromisso histórico dos Três Poderes para enfrentar a violência contra mulheres. Um gesto necessário diante de números assustadores: mais de 156 mil denúncias de violência em apenas 12 meses no disque Denúncia 180 e um recorde de feminicídios em 2025.

Hoje, porém, temos um respiro: não há feminicídios noticiados. Esse silêncio momentâneo não significa ausência de violência, mas é simbólico que aconteça justamente na semana do pacto. É como se a realidade nos desse um intervalo para lembrar que a luta não é só contra a tragédia, mas também pela esperança.


Mas enquanto o pacto tenta dar respostas, a cultura que sustenta essa violência continua exposta em diferentes espaços — inclusive na ficção.

No episódio que assisti ontem na série Guerra dos Promotores (#NETFLIX), vimos retratado o machismo estrutural que atravessa a vida das mulheres:

  • O preconceito contra aquelas que trabalham fora e têm filhos, vistas como “menos produtivas” pelos empregadores.
  • A crítica injusta que compara a produtividade feminina com a masculina, ignorando o peso da dupla jornada.
  • A rotina desigual: mães que acordam quase duas horas antes dos maridos, mulheres solteiras que levantam uma hora e meia antes dos homens, e até a promotora casada que, mesmo acordando antes de todos, chegou atrasada porque precisava levar os filhos ao hospital.
  • A violência maliciosa de culpar a mulher bonita e sedutora por ser assediada, como se a responsabilidade fosse dela.

Essas cenas revelam a violência silenciosa que não aparece nas estatísticas de feminicídio, mas que corrói diariamente a vida das mulheres. É o peso invisível de acordar antes, carregar responsabilidades, ser julgada por sua aparência e ainda ter sua competência questionada.





Em memória das mulheres que não deveriam ter partido

Beatriz Maria Oliveira de Souza, de 28 anos, Recife - 04/02/2026 e

Jane Cristina Montiel Gobatto, de 54 anos - Bento Gonçalves - 19/04/2025

Seus nomes permanecem como alerta e memória.




A contradição institucional e empresarial

Enquanto o Congresso votou a redução de carga horária e aumento de ganhos de dinheiro para os parlamentares, criando mecanismos para pagar salários até nas folgas, trabalhadores comuns seguem enfrentando jornadas exaustivas, horas no trânsito, falta de convívio familiar, um monte de prejuízos que é difícil enumerar.

Em Ribeirão Preto, por exemplo, a rede Savegnago anunciou a escala 5x2 como se fosse modernização, mas relatos indicam que a mudança veio acompanhada da redução do horário de almoço e aumento da carga diária — uma maquiagem que mantém a exploração e uso indevido dos noticiários como forma de se promover como pioneira.

Essa contradição mostra que o machismo estrutural não está só nas casas e nas séries, mas também nas instituições e empresas que deveriam garantir dignidade.


Reflexão

O Pacto Nacional é um passo importante, mas não basta. A violência contra mulheres não se limita ao ato extremo do feminicídio: ela está também nos olhares, nas críticas, nas comparações injustas e nas rotinas desiguais que a ficção escancara e a realidade confirma.

Que cada denúncia, cada nome lembrado e cada cena exposta sirvam para reforçar que não é “culpa” da mulher — é responsabilidade de toda a sociedade mudar essa estrutura. E que possamos valorizar  o dia de respiro sem tragédia, como sinal de que será possível construir um futuro diferente.

“Hoje poderíamos respirar esperança - mas...

...enquanto isso seguiremos vigilantes.”

Informe-se, peça ajuda: 

https://www.cfemea.org.br/

https://bemquerermulher.org.br/

https://cepia.org.br/ 

https://agenciapatriciagalvao.org.br/



 

03/02/2026

Entre desenhos, dramas coreanos...

Entre desenhos, dramas coreanos e a dor que não cala: por que precisamos falar sobre feminicídio

Quem me segue deve estar curiosa sobre o motivo de eu querer aproximar as pessoas das vítimas de feminicídio.

Talvez porque, mesmo quando estou buscando refúgio em algo leve — como meus desenhos de Zentangle ou os seriados coreanos que me encantam — a realidade insiste em bater à porta.

Estou assistindo a dois dramas na Netflix: Guerra de Promotores (legendado) e Você Estava Lá (dublado). E foi justamente o primeiro episódio de Você Estava Lá que me impactou mais do que qualquer filme de terror. A forma como a violência doméstica é retratada, o silêncio que cerca a vítima, o medo que paralisa… tudo isso me trouxe de volta a lembranças que preferia esquecer.

Quando Eloá foi assassinada em 2008 (post), em plena rede nacional, senti um enjoo profundo. Pensei na mãe, nos parentes, no luto que não passa. E no ano passado, quando Larissa, professora de Pilates aqui de Ribeirão Preto, foi morta, percebi que estávamos novamente mergulhados em uma epidemia silenciosa.

Comecei a assistir vídeos de “True Crimes” e constatei que a situação poderia ser ainda pior do que eu imaginava.

Queria comentar no blog, mas nele eu queria falar sobre arte, sobre Zentangle, sobre paz e desenhos...

Infelizmente, não ecoa. Meu momento “paz e amor” não reverbera, e isso me impede de aprofundar meus receios.

Quando administrava um grupo no Yahoo, não conseguia abordar o tema da violência doméstica. As mulheres já estavam sobrecarregadas com seus afazeres e responsabilidades.

No Facebook, senti a mesma coisa. O assunto sempre girava em torno de casa, filhos, relacionamentos — a mulher sempre sobrecarregada com tudo.

Queria ser o apoio para o “pedido de socorro”. Cada vez que alguém saía do grupo, me dava medo de que estivesse sendo abusada. Algumas confirmações chegavam, mas nunca confiavam em mim.

Eu também fui vítima. Meu ex-marido me batia, me ofendia. Quando eu dizia que iria denunciá-lo, ele ria e dizia que contaria ao delegado que eu mesma me feria. Em 1992, não havia nenhuma lei para nos proteger.

Por isso, em 2026, decidi citar, sempre que puder, uma vítima. Não quero chocar. Não vou parar de desenhar — aliás, não parei. 

 Em MEMÓRIA:  

Luana Maria Braga de Santana, 33 anos, em São Lourenço da Mata (PE) e Ana Paula Perpétuo, 41 anos,  em Lindóia (SP), foram assassinadas no dia 02/02/2026. O caso está sendo investigado como feminicídio. Duas vidas interrompidas pela violência de gênero. Que suas histórias não sejam esquecidas.



 

Continuo com meu desafio de leitura (lento, mas contínuo), continuo praticando Zentangle (fevereiro não tem desafio), e sigo desenhando com base nos livros que tenho acesso.

Os desenhos, os livros, os dramas coreanos e o parceiro de jornada que é meu esposo agora me ajudam a acreditar que o mundo ainda tem jeito. Não podemos desistir do Bem.

Não, eu não tive apoio jurídico em 1992. As pessoas fingem que não sabem o que acontece em casa. As mulheres têm vergonha, porque muitas continuam casadas.

Sim, precisamos estar presentes para que a mulher não seja tão dependente, que não tenha filhos sem estar em um relacionamento com um ser humano decente de verdade. Há muitas frentes para serem combatidas, e a informação é minha única arma por enquanto. O meu blog é meu único lugar para plantar essa semente. 

Se informe, peça ajuda: 

https://www.cfemea.org.br/

https://bemquerermulher.org.br/

https://cepia.org.br/ 

https://agenciapatriciagalvao.org.br/

É isso — até a próxima postagem. E quem sabe, um dia, teremos um mundo onde as estatísticas de feminicídio zerem.