17/02/2026

A simplicidade na poesia


A simplicidade na poesia

O Carnaval se despede, e eu, que esperava dias de descanso e desenhos, acabei obrigada a repousar por causa de um resfriado. A vida tem dessas ironias: quando menos esperamos, ela nos convida a parar. E nesse silêncio, entre lenços e chá quente, encontrei espaço para pensar na poesia — essa companheira que insiste em se revelar nas coisas mais simples.

Entre tachos e palavras

Lembrei-me de Cora Coralina, mulher que fez da simplicidade sua maior força. Enquanto mexia tachos de cobre e cristalizava doces, ela também cristalizava versos. Não esperou aplausos nem reconhecimento imediato; escreveu porque precisava escrever, porque a poesia era tão vital quanto o pão de cada dia.

Há algo de profundamente humano nisso: viver entre tarefas comuns e, ainda assim, guardar no coração um espaço para o sonho. Cora nos mostra que a poesia não nasce apenas dos grandes feitos, mas dos becos, das mãos calejadas, do cotidiano que insiste em ser visto com delicadeza.

O tempo e a coragem

Publicar seu primeiro livro aos 75 anos é um gesto de coragem que me inspira. Quantas vezes deixamos nossos desejos guardados, acreditando que já não há tempo? Cora nos lembra que o tempo é apenas medida externa; dentro de nós, sempre há espaço para florescer.

“Tenho um rio que fala em murmúrios. Tenho um rio poluído. Tenho um rio debaixo das janelas.”

Esses versos me tocam porque revelam a vida como ela é: bela e dura, pura e impura, mas sempre digna de ser cantada.

O que fica

Enquanto descanso neste Carnaval silencioso, penso que talvez a poesia esteja justamente aqui — na pausa inesperada, no cheiro do chá, na lembrança de uma poetisa que fez da simplicidade sua eternidade. Que possamos aprender com Cora Coralina a enxergar beleza nos detalhes e coragem nos nossos próprios caminhos.

UPHOLTEREST, Lizzie Mayne

Círculos e retas se encontram
A grade se forma, firme
Cada espaço é preenchido com disciplina
A resistência se revela nos detalhes

"Entre linhas firmes, nasce a coragem. Este desenho é memória de uma luta que não se dobra, e que continua inspirando vidas."

“Cora nos ensina que o tempo não limita a voz: ela floresce quando encontra coragem.”




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