É importante salientar que o ICL partilha diariamente o tema com a chamada "Nenhuma Mulher a menos" - a tentativa de mudar nossa história parece algo distante, mas sigamos na jornada....
Um pouco sobre o que encontramos no GOOGLE sobre Nenê Romano:
Nenê Romano, pseudônimo de Romilda Macchiaverni (c. 1898–1923), foi uma figura notória na São Paulo dos anos 1920. Filha de imigrantes italianos, tornou-se uma prostituta influente e "mulher fatal" cobiçada, sendo assassinada a tiros em um táxi por Moacir Piza, um advogado, em um caso que misturou paixão, moralidade e a imprensa da época.
Principais Detalhes:
Identidade: Nascida Romilda Macchiaverni, era também conhecida como Olga Romano.
Contexto: Atuou em uma São Paulo em transformação, onde sua figura estigmatizada contrastava com os papéis femininos impostos na época.
O Crime (1923): Moacir Piza, após um relacionamento de dois anos, matou Nenê Romano e, em seguida, cometeu suicídio no táxi.
Legado: Sua história virou crônica urbana e foi alvo de estudos sobre feminicídio, o papel da imprensa e a criminalização da prostituição na década de 1920.
A obra "Quem se importa?: a história de Nenê Romano", de Edilene Neves, é baseada em sua trajetória.
O caso é lembrado como um dos episódios marcantes da crônica policial e social da capital paulista.
No trabalho feito pela USP: Christiane Manolio Valladão Flores:
Quem é Nenê Romano?
"Paixão Fatal. O Dr. Moacyr Piza, num momento irreflectido, assassina a tiros de revólver a conhecida mundana Nenê Romano e suicida-se em seguida".
O primeiro parágrafo já resume quem seria a "mundana" e o "doutor" que perdeu a cabeça por culpa dela, a matou e tirou a própria vida:
"Matou-se Moacyr Piza, o brilhante, o audaz, o valoroso escriptor que todo São Paulo admirava. Matou-se depois de ter matado Nenê Romano, a mulher fatal, que tinha um rosto de anjo e uma alma perversa".
Mais adiante, as definições sobre a vítima/vilã se intensificam:
"Nenê Romano, flôr de rua e da lama, mulher do povo e contra o povo, que possuia o sorriso que accendia os mais perigosos fogos da paixão torturante e louca; o mais completo symbolo da leviandade e da perversidade muliebre conseguiu, com a suggestão da mulher que faz soffrer e ri, armar o braço de Moacyr Piza e desafiar a morte."
Romilda Macchiaverni, filha de imigrantes italianos pobres vindos ao Brasil em busca de uma vida melhor, encontrou sustento na prostituição, primeiro com a alcunha de Olga Romano e depois, com seu codinome mais famoso, Nenê Romano.
Tornou-se uma das principais prostitutas de São Paulo do final do anos 1910 e início dos anos 1920. Circulando em espaços de poder da cidade como amante de políticos importantes da Primeira República, teve a "audácia" de exigir seus direitos como cidadã na Justiça, mesmo considerada à margem da sociedade, depois de sofrer uma entre tantas violências que enfrentou como cortesã.
Nenê fica mais conhecida ao protagonizar duas situações de violência de gênero que foram destaque na imprensa. Na primeira, é navalhada no rosto a mando de Sinhazinha Junqueira, filha de Iria Junqueira, a maior exportadora de café do Brasil e quiçá do mundo, com seus domínios na região de Ribeirão Preto, interior paulista, e uma das pessoas mais influentes da política nacional.
Sinhazinha era amante do Secretário dos Negócios do Interior de São Paulo, Oscar Rodrigues Alves, o Kaká (filho do presidente da República Rodrigues Alves), com quem Nenê também mantinha um caso e foi vista trocando gracejos publicamente.
Após ter o rosto cortado com uma navalha por capangas de Sinhazinha – num episódio de vingança por ciúme, Nenê buscou a Justiça para incriminar os culpados e receber indenização, mesmo consciente de que os criminosos eram ligados à importantes figuras de poder.
Na segunda situação, Nenê é morta a tiros por seu amante, Moacyr de Toledo Piza, proeminente advogado de família ilustre paulistana, que tira a própria vida na sequência ao assassinato. Apesar de ser vítima de um relacionamento amoroso abusivo e de um crime passional, Nenê é tratada como culpada nas páginas dos periódicos simplesmente por ser uma "mundana", como muitas vezes é adjetivada.
Assim como, atualmente as mídias hegemônicas insistem em "inventar" que as pessoas tem que se "moldar" à magreza, a ser influenciador, em ser jogador de futebol, e outros rótulos para criar um monte de pessoas frustradas, na época de Nenê, ela foi considerada "culpada" por ser bonita, articulada, influente, "culpada" por ser mulher e a sociedade hipócrita a procurar para momentos de prazer.
Dizia-se que eram tantos os seus admiradores que passou a exercer influência no próprio Governo do Estado. Falava-se também, que "Nenê Romano" era a preferida do Senador Rodrigues Alves. Chegou a participar como convidada das festividades oficiais do 7 de setembro e 15 de novembro ao lado de políticos, inclusive do Presidente do Estado, Washington Luiz.
O ódio gera "grana" e a "grana" compra impunidade - mas a dignidade sai pelo ralo a cada noite, a cada morte. E, como sempre os "jornalões" só pensam em "parecer" honestos, porque ser HONESTO de verdade não dá dinheiro.






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