Ainda precisamos falar sobre a violência contra a mulher
Às vésperas do 8 de março
Estamos chegando perto do Dia Internacional da Mulher. Uma data que deveria ser de celebração, mas que, para mim, é também um lembrete doloroso: ainda precisamos falar sobre a violência contra nós.
Hoje acordei com a notícia de que o feminicídio aumentou. Se antes eram quatro mulheres assassinadas por dia, agora são quase seis. Seis vidas arrancadas, seis histórias que não vão mais se cumprir. E atrás de cada uma dessas mortes, há filhos que ficam órfãos. Em 2025, foram mais de 1.600 crianças. Quatro por dia. É como se a violência contra a mulher tivesse o poder de roubar não só a mãe, mas também o futuro das crianças.
Nos bastidores do poder
E como se não bastasse, vemos casos como o do banqueiro Daniel Vorcaro. Festas luxuosas, convidados filmados e depois chantageados. Mulheres estrangeiras usadas, sem sabermos sequer o destino delas. Esse silêncio sobre o que aconteceu com elas é, por si só, uma violência.
É duro perceber que a exploração feminina não está só nas ruas ou nas casas. Ela se infiltra nos corredores do poder, nos negócios milionários, nos jogos de chantagem. A violência contra mulheres tem muitas faces, mas todas deixam marcas profundas.
Violência que atravessa fronteiras
Ontem, 60 170 meninas iranianas morreram em uma escola. Sessenta futuros apagados em um só dia. E eu penso: não importa se é aqui, no Brasil, ou lá fora, em um país distante. A violência contra mulheres e meninas é global. Ela atravessa culturas, religiões, fronteiras. Sempre com o mesmo resultado: vidas interrompidas, sonhos roubados, silêncios impostos.
Stephanie da Silva, 26 anos - Sapopemba/SP - 01/03/2026Eronildes Alves das Neves, 64 anos - Orlândia/SP - 02/03/2026Mariana Alonso, de 25 anos - Sta Cruz do Sul/RS - 03/03/2026Flávia Cunha, 42 anos - Divinópolis/MG - 03/03/2026
Seus nomes permanecem como alerta e memória.
Quando uma mulher morre, não é só ela que se vai. São filhos que ficam órfãos, famílias despedaçadas, comunidades em silêncio. Quando meninas morrem em uma escola, é o futuro inteiro que se apaga. Quando mulheres são exploradas em festas de poderosos, é a dignidade que é sequestrada.
Essas violências não estão em manchetes frias. Elas estão diante de nós, pedindo que não desviemos o olhar. Porque cada silêncio é cúmplice, e cada palavra pode ser resistência.
No dia 8 de março, não basta celebrar. É preciso lembrar, denunciar e resistir.












