26/02/2026

O Preço Social do Casamento Infantil


O Preço Social do Casamento Infantil: Pobreza, Exclusão e Dependência

A infância interrompida

Quando uma menina é forçada a se casar cedo, não perde apenas sua infância. Ela perde também o direito à educação, à autonomia e à construção de um futuro digno.  

O casamento infantil é uma porta fechada para oportunidades e uma estrada aberta para a pobreza e a exclusão social.

O abandono escolar

Estudos mostram que meninas que entram em uniões precoces têm maior probabilidade de abandonar a escola.  

- A gravidez precoce dificulta a continuidade dos estudos.  

- A pressão doméstica e conjugal substitui os cadernos por tarefas de casa.  

- A falta de apoio institucional reforça o isolamento.  

Sem educação, essas meninas ficam presas em um ciclo de dependência, sem acesso a empregos formais ou autonomia financeira.

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A pobreza como destino

O casamento infantil perpetua a pobreza em várias dimensões:  

- Econômica: meninas sem escolaridade têm menos chances de conseguir empregos dignos.  

- Geracional: filhas de mães que abandonaram os estudos tendem a repetir o mesmo destino.  

- Social: a exclusão reforça desigualdades e limita o acesso a direitos básicos.  

O resultado é uma herança de miséria que atravessa gerações, mantendo famílias inteiras em vulnerabilidade.

A dependência econômica e emocional

Sem autonomia financeira, muitas mulheres ficam presas em relações abusivas, incapazes de romper o ciclo por falta de recursos.  

Essa dependência não é apenas econômica, mas também emocional: a menina aprende desde cedo que precisa de um homem para sobreviver, e essa crença se torna uma prisão psicológica.  

É nesse terreno fértil que floresce a violência doméstica e, em muitos casos, o feminicídio.

Dados que revelam a realidade

- O Brasil registrou 193 casamentos civis de menores de 16 anos em 2024.  

- O Censo mostra que 34 mil meninas entre 10 e 14 anos vivem em união conjugal.  

- Em 2022, foram contabilizados 4.041 feminicídios.  

Esses números revelam que o casamento infantil não é apenas uma questão individual: é um problema social estruturado, que alimenta a desigualdade e a violência.

Cada mulher que reconhece suas cicatrizes invisíveis dá um passo para proteger sua filha e transformar sua história.



Em memória das mulheres que não deveriam ter partido

Júlia Gabriela Bravin Trovão, de 29 anos - Botucatu/SP - 21/02/2026
Jaqueline Limeira de Oliveira, de 30 anos - Morro Agudo/SP - 24/02/2026
Priscila Beatriz Assis Teixeira, de 38 anos - Araxá/MG - 23/02/2026
Cibelle Monteiro Alves, de 22 anos - São Bernardo/SP - 25/02/2026



Seus nomes permanecem como alerta e memória.


O casamento infantil não rouba apenas a infância. Ele rouba também a educação, a autonomia e o futuro.  

Cada menina que abandona a escola por causa de uma união precoce é uma mulher que, amanhã, pode estar presa em um ciclo de pobreza e violência.  

Romper esse ciclo é garantir que meninas estudem, cresçam e construam seus próprios caminhos.  

Porque educação é liberdade, e liberdade é a chave para quebrar a herança da violência.

Informe-se, peça ajuda: 

“Proteger a infância é proteger a vida. Dizer não ao casamento infantil é dizer não ao feminicídio. Que nenhuma menina seja entregue ao abuso, e que nenhuma mulher seja morta por resistir.”

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