27/02/2026

O Estado que Normaliza o Abuso

Quando a Justiça Falha: O Estado que Normaliza o Abuso
A lei que deveria proteger

O Brasil possui um arcabouço jurídico robusto para proteger crianças e adolescentes.

  • A Constituição Federal garante proteção integral.
  • O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) proíbe qualquer forma de exploração sexual ou conjugal de menores.
  • Tratados internacionais, como a Convenção sobre os Direitos da Criança da ONU, reforçam que toda criança tem direito à infância plena.

No papel, a proteção existe. Mas na prática, quando um juiz autoriza que uma menina de 12 anos se case com um homem de 35, a lei é transformada em instrumento de violência.


A institucionalização do abuso

Quando autoridades legitimam uniões precoces, enviam uma mensagem perigosa:

  • À sociedade: que o corpo da criança pode ser negociado.
  • Às famílias: que entregar a filha cedo é aceitável.
  • Às meninas: que sua voz não importa e sua dor é invisível.

Essa institucionalização do abuso não é apenas uma falha individual. É uma falha sistêmica, que transforma o Estado em cúmplice da violência.


O ciclo da impunidade

A falta de fiscalização e punição cria um terreno fértil para a repetição do crime:

  • Casamentos precoces continuam sendo registrados em cartórios.
  • Autoridades locais ignoram denúncias por “tradição cultural”.
  • Processos judiciais se arrastam, deixando meninas expostas ao abuso.

O resultado é um ciclo de impunidade que perpetua a violência e mina a confiança da sociedade nas instituições.


Dados que revelam a falha

  • Em 2024, foram registrados 193 casamentos civis de menores de 16 anos.
  • O Censo mostra que 34 mil meninas entre 10 e 14 anos vivem em união conjugal.
  • Em 2022, o Brasil contabilizou 4.041 feminicídios.

Esses números revelam que o problema não é apenas cultural ou social. É também institucional, pois o Estado falha em proteger quem mais precisa.


A responsabilidade coletiva

Romper esse ciclo exige que o Estado cumpra seu papel:

  • Fiscalizar cartórios e impedir registros ilegais.
  • Capacitar juízes e autoridades para reconhecer o casamento infantil como abuso.
  • Investir em políticas públicas que garantam educação e proteção às meninas.

Mas também exige que a sociedade pressione e denuncie. Porque cada vez que o Estado falha, é a voz da sociedade que pode exigir justiça.



Em memória das mulheres que não deveriam ter partido

Simoni Trigueiro, de 38 anos - Andradina/SP - 26/02/2026
Andrelina da Silva Santos, de 39 anos - Ourolânda/BA - 24/02/2026
Angelina Maria Ramos, de 58 anos - Jd das Palmas/SP - Capital - 25/02/2026
Geni Almeida de Melo Santos, de 47 anos - São Sebastião do Paraíso/MG - 18/02/2026




Seus nomes permanecem como alerta e memória.



O casamento infantil não é apenas uma tragédia pessoal. É uma falha institucional que transforma o Estado em cúmplice da violência.

Porque quando o Estado falha, a sociedade precisa gritar.
E quando a sociedade grita, o silêncio da violência começa a ser rompido.

Romper esse ciclo é exigir que a lei seja aplicada, que a Justiça seja justa e que a infância seja protegida.

Informe-se, peça ajuda: 

“Proteger a infância é proteger a vida. Dizer não ao casamento infantil é dizer não ao feminicídio. Que nenhuma menina seja entregue ao abuso, e que nenhuma mulher seja morta por resistir.”

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