28/02/2026

Precisamos: Romper o Ciclo, Proteger a Vida

Precisamos: Romper o Ciclo, Proteger a Vida

A infância roubada é a raiz da violência

No Brasil, ainda em 2024, 193 casamentos civis de menores de 16 anos foram registrados em cartórios. O Censo mostra que 34 mil meninas entre 10 e 14 anos vivem em união conjugal.
Esses números não são apenas estatísticas. São vidas interrompidas, sonhos destruídos e infâncias roubadas.

Cada vez que uma menina é entregue a um homem adulto, não estamos diante de um casamento. Estamos diante de um abuso legitimado. E cada vez que a lei falha em proteger, a violência é normalizada.


As camadas da violência

O casamento infantil é uma engrenagem que movimenta várias camadas de dor:

  • Cultural: mães que foram abusadas reproduzem o destino em suas filhas, acreditando que “sempre foi assim”.
  • Psicológica: meninas crescem com traumas invisíveis, aprendendo que sua voz não importa.
  • Social: abandono escolar, pobreza e dependência econômica perpetuam a exclusão.
  • Institucional: quando autoridades legitimam uniões precoces, o Estado se torna cúmplice da violência.

Essas camadas se entrelaçam e formam um ciclo que atravessa gerações.


A ponte para o feminicídio

O Brasil registrou mais de 87 mil casos de violência sexual infantil em 2024 e 4.041 feminicídios em 2022.
Esses números estão conectados. Meninas abusadas se tornam mulheres vulneráveis. Mulheres vulneráveis vivem em um país que tolera a violência até o ponto da morte.

Cada casamento infantil é uma semente plantada na terra fértil da desigualdade. E dessa semente brotam o abuso, a violência e, muitas vezes, o feminicídio.


O chamado à ação

Romper esse ciclo exige coragem coletiva.

  • Denunciar: não aceitar que a lei seja usada para legitimar o abuso.
  • Conscientizar: mostrar às mulheres que proteger suas filhas é também curar suas próprias feridas.
  • Transformar: exigir políticas públicas que garantam educação, proteção e dignidade às meninas.

Porque proteger a infância é proteger o futuro.
Porque dizer não ao casamento infantil é dizer não ao feminicídio.


E concluímos essa série de Posts com o mesmo chamado:

O casamento infantil não é cultura. Não é tradição. Não é escolha.

É abuso. É violência. É a raiz de uma herança de dor que atravessa gerações.

Romper esse ciclo é mais do que proteger meninas. É curar mulheres, é transformar a sociedade, é salvar vidas.

Faço um pedido de ajuda coletivo: pela infância, pela dignidade, pela vida!



Em memória das mulheres que não deveriam ter partido

Gisele Santana, de 32 anos - Brás/SP - Capital São Paulo - 18/02/2026
Não informado, de 51 anos - S. J. Rio Preto/BA - 26/02/2026
Iara Gomes de Almeida, de 33 anos - Inhuma/MG - 27/02/2026
Ana Karolina Sousa, de 31 anos - Itapipoca/CE - 14/02/2026




Seus nomes permanecem como alerta e memória.


Informe-se, peça ajuda: 

“Proteger a infância é proteger a vida. Dizer não ao casamento infantil é dizer não ao feminicídio. Que nenhuma menina seja entregue ao abuso, e que nenhuma mulher seja morta por resistir.”

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