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11/02/2026

Flores que sustentam o invisível

Flores que sustentam o invisível

"Entre traços simples, florescem histórias invisíveis. Cada pétala guarda a força silenciosa das mulheres que sustentam o mundo sem serem vistas."

Tudo começa com um traço simples.

As formas se repetem e ganham vida.
Cada detalhe é uma respiração no processo.

Observamos a delicadeza e presença.

"Este padrão floral é dedicado às mulheres anônimas que sustentam o mundo em silêncio, com mãos calejadas e gestos invisíveis. O Zentangle floresce como elas: simples, forte e eterno."

Conhece Madalena dos Santos Reinbolt?

Madalena dos Santos Reinbolt (1919–1977)
sd. Fonte: FROTA, Lélia Coelho. Mitopoéticas de 9 artistas brasileiros
Rio de Janeiro: FUNARTE, 1978

Em 2023 tentei fazer Artes Visuais, aliás, fico triste como sinto que perdi a oportunidade de ser professora de Arte ao perder a oportunidade de fazer Magistério na década de 80, muitas pessoas já me consolaram, eu mesma me perdoo, por não ter tido teste de aptidão, minha família muito simples, não sabiam nos orientar. Os professores, talvez, por saber que as famílias normalmente nos tratava como possível "dona de casa", não nos motivava à vida profissional. Muitas coisas mudaram, muitas mulheres ajudam a mudar esse paradigma, mas ainda falta muito para as mulheres REALMENTE ocuparem seus lugares favoritos e não aquele que sugerem que ela mereça estar, falta muito para quebrar-se tetos de vidros e as mulheres poderes chegarem ao poder sem "entregar favores" - as mulheres o tempo todo tentam evoluir, mas "a pedra no meio do caminho" geralmente é um machista, uma machista, uma série de pessoas que não evoluem, não percebem que a vida seria bem melhor com mais pessoas felizes.

De volta à Madalena, pensei a época da faculdade em fazer um TCC baseado na Biografia dessa artista, que usava o material que tinha à mão, pois morava com artistas e, mesmo assim, não era motivada a SER ARTISTA, mas desbravou seu próprio caminho.

Madalena nasceu em 14 de setembro de 1919 em em Vitória da Conquista, BA, Brasil. Seus pais eram fazendeiros e plantavam, entre outras coisas, algodão, milho, arroz, e feijão, além de cuidar de gado, porcos, galinhas e cavalos. Sua mãe, Ana Maria de Souza Pereira, também era artesã e cozinheira, fiava algodão, criava pratos e panelas de barro, fazia rendas e preparava manteiga.

Madalena nunca foi formalmente educada, e nunca aprendeu a ler ou escrever fora assinar seu próprio nome.

Com vinte e poucos anos, Madalena mudou-se para Salvador para trabalhar como empregada doméstica. Em 1945, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde passou dois anos trabalhando como doméstica antes de se mudar para São Paulo, em 1947. Se mudou de volta para o Rio de Janeiro pouco depois, mudando-se para Petrópolis, em 1949, onde ela iria trabalhar como cozinheira de Lota de Macedo Soares e Elizabeth Bishop

Em 1952, casou-se com Luiz Augusto Reinbolt, caseiro de Samambaia, a residência de Lota de Macedo Soares. No mesmo ano, foi demitida de Samambaia por se dedicar demais aos seus trabalhos artísticos. De acordo com Bishop, ela e Soares se viram tendo que escolher entre “a arte e a paz”, concluindo que “a tranquilidade valia mais do que desfrutar uma obra-prima todo dia”.

Continuou a morar em Petrópolis e vendeu algumas de suas obras para amigos de Lota de Macedo Soares.

Não conseguiu se sustentar como artista e viveu até o fim da vida como empregada doméstica. Madalena Santos Reinbolt faleceu em Petrópolis em 1977.

Uma artista autodidata baiana que transformou fios e tintas em memórias vivas. Suas “pinturas com lã” retratavam cenas rurais, animais e o céu sertanejo. Considerada uma artista naïf, sua obra espontânea deu forma ao cotidiano do interior, transformando lembranças em poesia visual.

"Assim como as flores silenciosas, há mulheres que sustentam o mundo sem aplausos. Este padrão é um tributo à sua presença invisível, mas essencial."