06/09/2022

Review: A Extravagância do Morto - Agatha Christie

A Extravagância do Morto A Extravagância do Morto by Agatha Christie
My rating: 5 of 5 stars



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Esse é um tipo de livro difícil de descrever e classificar, mantenho as 5 estrelas por teimosia e respeito a AC!
Acredito que é um título "ensaio" para outros livros e causa essa estranheza. Mudança de personalidades, personagens espalhados por um jardim. Uma sensação que as pessoas estão em um lugar errado... enfim, achei uma resenha crítica que descreve a sensação que esse livro trás e porque ele não é tão divulgado.

Como sempre prestigio um blog que compartilha resenhas, visto que sou meio reticente em tentar escrever, com receio de praticar indiscrição em contar algo essencial da trama.

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A Extravagância do Morto — Agatha Christie [Resenha]

O livro é bom? Vale a pena ler?

A extravagância do morto — Resenha

Quando se fala em Agatha Christie muitos leitores lembram de livros como "E não sobrou nenhum (O caso dos 10 negrinhos)" e "Assassinato no Expresso do Oriente", mas dificilmente em A Extravagância do Morto, que foi recebido pela crítica do Times como um “clássico, o melhor de Agatha Christie”. Entre os mais de 50 livros publicados pela autora, o título em questão dificilmente é listado entre os melhores em diversas listas espalhadas pela internet, mas ainda assim pode ser uma leitura interessante.

O começo da narrativa possui uma base sólida e bem construída: a escritora de livros de suspense Ariadne Oliver (que também aparece em outras histórias de Christie) liga para o investigador belga Hercule Poirot para que o mesmo comparecesse a uma festa no campo na qual se jogará a “caça ao assassino” com direito a vítima, pistas falsas e inúmeros suspeitos. Ariadne suspeita que algo de errado vai acontecer e sabe que a curiosidade de Poirot fará com que ele compareça.

Ariadne Oliver e Hercule Poirot

Surpreendentemente de fato acontece algo de errado na festa (óbvio, a ideia é péssima) e caberá ao Poirot desvendar o mistério uma vez que os policiais não conseguem chegar a um veredito concreto.

A ideia da história é legal, o que mais atrapalha é o ritmo lento e sem muitas novidades, pistas concretas e aprofundamento nos personagens. A sensação que fica é que nada de novo acontece e o leitor sempre fica parado no mesmo lugar, é possível sentir a angústia junto com Poirot ao se perguntar: "Quando o livro vai acabar e a resolução surgir?" Isso sem contar na participação dos policiais que foi bem maior do que a importância dos mesmos para a história.

Sim, tem muitas pistas escondidas que podem passar despercebidas. O problema é que a resolução surge como uma mágica com um desfecho mirabolante que o leitor se pergunta: "O quê?". É quase impossível descobrir a verdade antes de sua resolução uma vez que muitas, mas muitas, informações novas são reveladas de um modo praticamente desonesto por parte da autora.

É legal quando há a sensação de se sentir enganado pela autora sendo que a explicação estava sempre na sua frente como é o caso de vários outros livros de Agatha Christie, mas aqui é sacanagem porque ela nem se quer se deu ao trabalho de fazer isso.

A história é legal, os personagens são mal aproveitados, o final é duvidoso e a leitura pode ser arrastada. A parte boa é que o livro possui poucas páginas, é possível ler em uma tarde, distrair a mente um pouco, mas só se não tiver nenhuma outra opção de títulos da autora na estante.

01/09/2022

Review: O Caso do Hotel Bertram - Agatha Christie

O Caso do Hotel Bertram O Caso do Hotel Bertram by Agatha Christie
My rating: 0 of 5 stars



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O livro que me deixou de queixo caído, simples assim!

Como sempre, procuro sites que já escreveram resenhas, pois não sou muito talentosa em escrever algo e não correr o risco de falar demais ou me enrolar!

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RESENHA: O Caso do Hotel Bertram
De: MARIANA FONTANA SZEWKIES
alemdacontracapa blogspot com

“Existe um lugar formidável em Londres: chama-se hotel Bertram. É como recuar um século e encontrar a velha Inglaterra! As pessoas que se hospedam lá não se encontram mais em lugar nenhum.” (CHRISTIE, 2010, p.15)

Há quanto tempo eu não encontrava Miss Marple em uma de suas acidentais aventuras! Para quem não a conhece, vale apresentar rapidamente a segunda personagem mais famosa criada por Agatha Christie, a simpática velhinha de Saint Mary Mead que parece ter um dom especial para atrair problemas – e por problemas leia crimes e assassinatos - para suas proximidades. Miss Marple não é detetive, embora muitas vezes ajude a policia, sendo até fundamental, na resolução dos crimes. Ela é simplesmente uma pessoa atenta, que repara nos menores detalhes e é, acima de tudo, uma grande conhecedora da natureza humana – como na maioria das vezes é descrita.
Em “O Caso do Hotel Bertram”, Miss Marple hospeda-se no referido hotel para tirar uns dias de férias. Tudo o que ela quer é apreciar a atmosfera do local, que permanece a mesma desde os tempos em que ela era menina, e descansar. Mas como sempre, coisas acontecem quando ela está por perto e desaparecimentos, roubos e mortes cercam o charmoso hotel.

Agatha não tem pressa em apresentar os personagens que viverão essa aventura. Introduz cada um aos poucos na trama, dando tempo para que o leitor os conheça com calma. E quantas personalidades distintas podem ser encontradas no Bertram! O velho e desmemoriado vigário que desaparece sem deixar rastro, a jovem e rica herdeira que insiste em querer saber quem ficará com sua fortuna caso ela venha a morrer antes de se apropriar do dinheiro – algo que só acontecerá quando fizer 21 anos - e a mulher ousada, famosa por suas aventuras e indiscrições são apenas algumas das figuras que Agatha Christie coloca nesse cenário fazendo o que sabe fazer de melhor: deixar o leitor ter noção o suficiente do que está acontecendo – a ponto de se sentir inteligente – ao mesmo tempo que tem consciência de que não sabe exatamente o que está acontecendo, de forma que quando a autora revela o mistério, o leitor se surpreende. Mestre!

Pode se dizer que “O Caso do Hotel Bertram” apresenta duas histórias paralelas: os curiosos roubos, com o mistério das placas semelhantes, e o assassinato – que em se tratando de um livro da dama do crime não poderia faltar. Com tantos elementos em mãos, Agatha lança várias interrogações ao leitor e é hábil o suficiente para que chegado o momento das explicações consiga dar duas respostas plausíveis, mesmo que erradas, antes de dar a resposta correta. Tudo isso nas últimas 15 páginas. Quando você acha que sabe o que está acontecendo, a autora mostra que está tudo errado e quando você se convenceu a abandonar a primeira teoria porque, obviamente, a segunda é a correta ela vem e diz: errado de novo! Repito: Mestre!

Eu já disse, repeti e prometi continuar repetindo o quanto sou fã de Agatha Christie. Miss Marple não é a minha personagem preferida criada por ela, mas é absolutamente adorável e inteligente. Por ser calma e do tipo observadora, suas histórias sempre me parecem seguir um pouco esse rumo: são calmas, com menos urgência que outros casos policiais centrados em detetives profissionais - como Marlowe, Maigret e, claro, Poirot - e do tipo que o leitor observa para ver o que vai acontecer tendo a certeza que, mais cedo ou mais tarde – ou deveria dizer, mais páginas ou menos páginas – Jane Marple e Agatha Christie lhe presentearão com uma grande surpresa.
Em “O Caso do Hotel Bertram”, Miss Marple hospeda-se no referido hotel para tirar uns dias de férias. Tudo o que ela quer é apreciar a atmosfera do local, que permanece a mesma desde os tempos em que ela era menina, e descansar. Mas como sempre, coisas acontecem quando ela está por perto e desaparecimentos, roubos e mortes cercam o charmoso hotel.

Agatha não tem pressa em apresentar os personagens que viverão essa aventura. Introduz cada um aos poucos na trama, dando tempo para que o leitor os conheça com calma. E quantas personalidades distintas podem ser encontradas no Bertram! O velho e desmemoriado vigário que desaparece sem deixar rastro, a jovem e rica herdeira que insiste em querer saber quem ficará com sua fortuna caso ela venha a morrer antes de se apropriar do dinheiro – algo que só acontecerá quando fizer 21 anos - e a mulher ousada, famosa por suas aventuras e indiscrições são apenas algumas das figuras que Agatha Christie coloca nesse cenário fazendo o que sabe fazer de melhor: deixar o leitor ter noção o suficiente do que está acontecendo – a ponto de se sentir inteligente – ao mesmo tempo que tem consciência de que não sabe exatamente o que está acontecendo, de forma que quando a autora revela o mistério, o leitor se surpreende. Mestre!

Pode se dizer que “O Caso do Hotel Bertram” apresenta duas histórias paralelas: os curiosos roubos, com o mistério das placas semelhantes, e o assassinato – que em se tratando de um livro da dama do crime não poderia faltar. Com tantos elementos em mãos, Agatha lança várias interrogações ao leitor e é hábil o suficiente para que chegado o momento das explicações consiga dar duas respostas plausíveis, mesmo que erradas, antes de dar a resposta correta. Tudo isso nas últimas 15 páginas. Quando você acha que sabe o que está acontecendo, a autora mostra que está tudo errado e quando você se convenceu a abandonar a primeira teoria porque, obviamente, a segunda é a correta ela vem e diz: errado de novo! Repito: Mestre!

Eu já disse, repeti e prometi continuar repetindo o quanto sou fã de Agatha Christie. Miss Marple não é a minha personagem preferida criada por ela, mas é absolutamente adorável e inteligente. Por ser calma e do tipo observadora, suas histórias sempre me parecem seguir um pouco esse rumo: são calmas, com menos urgência que outros casos policiais centrados em detetives profissionais - como Marlowe, Maigret e, claro, Poirot - e do tipo que o leitor observa para ver o que vai acontecer tendo a certeza que, mais cedo ou mais tarde – ou deveria dizer, mais páginas ou menos páginas – Jane Marple e Agatha Christie lhe presentearão com uma grande surpresa.

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