07/06/2023

Review: Um mistério no Caribe - Agatha Christie

Um mistério no Caribe Um mistério no Caribe by Agatha Christie
My rating: 5 of 5 stars

Olá caros leitores!
Eu sei que é uma releitura, e como sempre, nem cheguei perto de suspeitar quem fez o crime...
A história nos lembra "Morte na Praia" com Hercule Poirot, mas passa super longe dos motivos e pessoas.
Ao ler as resenhas, todos são unânimes em quanto a história é envolvente e como Miss Marple se faz presente e sentimos muito não ter sido mais explorada por AC.
**********************

Resenha de Lucas
https://leitordossonhos.com/

Olá, Sonhadores! Já que não podemos nos dar ao luxo de tirar umas férias no Caribe, então que tal ler esta aventura de férias da nossa querida senhorinha Miss Marple? No livro deste mês de Agatha Christie vamos investigar uma morte repentina muito suspeita e, ao mesmo tempo, aproveitar um banho de sol para relaxar. Vamos lá?

“A senhorita gostaria de ver o retrato de um assassino?”

Sobre a História

Não é porque Miss Marple é uma solteirona aposentada que ela não mereça passar uma temporada de férias no Caribe. Não que ela particularmente desejasse isso, mas seu sobrinho a convenceu de ir e pagou todas as despesas, então por que não? O problema é que Miss Marple está entediada agora. Ela está tão acostumada a observar e mexericar sobre a vida alheia no dia a dia no vilarejo em que mora que não tem muito o que fazer no Caribe com turistas desconhecidos que vem e vão.

Durante uma conversa com o Major Palgrave, Miss Marple faz esse desabafo e o homem, que não perde uma oportunidade de narrar as aventuras que passou na sua juventude para entreter seus ouvintes, conta uma história confusa de um suposto assassinato que saiu impune, mas que de alguma forma ele tinha a foto da pessoa que cometeu o crime. Miss Marple, cansada e distraída, mal estava prestando atenção na história, mas no momento que Palgrave ia lhe mostrar a foto, ela notou que ele recuou de forma muito estranha. O major parecia ter visto algo ou alguém atrás dela que o deixou transtornado.

No dia seguinte, para a surpresa de todos, o major Palgrave foi encontrado morto em seu bangalô. Isso afetou especialmente o casal Tim e Molly, proprietários do resort que Palgrave e Miss Marple estavam hospedados. Eles ficaram alarmados disso prejudicar seus negócios. A morte foi dada como natural, mas Miss Marple não ficou muito convencida e decidiu investigar por conta própria.

Minhas Considerações

A maior parte das obras de Agatha Christie são romances policiais que, em parte seguem um mesmo formato, em partes são únicos e originais. Porém, há uma grande diferença entre os livros com Hercule Poirot, dos livros com Miss Marple como detetive. Isso sem dúvidas faz com que muitos leitores prefiram um ao outro. Eu adoro ambos, mas particularmente gosto um pouco mais de Miss Marple. Primeiramente pelo fato de ela não se declarar (nem se considerar) uma detetive, mas principalmente por ser um tipo de pessoa improvável de ser um. Outra coisa que adoro nos livros com a velhoca é o futrico que sempre tem. É incrível como ela consegue coletar informação das pessoas que adoram uma fofoca, ou como ela consegue futricar para que uma informação chegue numa pessoa chave para o que ela quer.

Isso nos leva a alguns pontos do porquê achei esse livro ótimo e recomendo. Primeiro que eu fui feito de trouxa e passei longe de acertar quem era o/a assassino/a, mesmo sendo uma RELEITURA! Segundo que a futricagem não só é usada pela Miss Marple, mas também pelo assassino! De alguma forma todos sabiam que o major Palgrave sofria de hipertensão e por isso sua morte foi tomada como natural, mas ao mesmo tempo ninguém sabia como sabia, pois ninguém se lembrava do Palgrave dizer isso. Inclusive havia gente que se lembrava do oposto!

Outro ponto muito interessante foi que, como eu disse, Miss Marple não prestou muita atenção na história do assassinato que o major contou a ela. Da mesma forma que todo mundo que também ouviu a mesma história não deu atenção. Sendo assim, ninguém sabia ao certo quais eram os detalhes e cada um dizia ter ouvido uma versão diferente. Isso complicava imensamente as coisas para a investigação, mas me deixava, como leitor, cada vez mais curioso!

Definitivamente é uma obra da Agatha que você deve ler!

“Acho que talvez tenhamos que agir depressa. Muito depressa. Fui tola. Extremamente tola. Eu devia ter me dado conta desde o primeiro instante do que tudo significava. Era tão simples…”

View all my reviews

🌿 Respire fundo... a vida é feita de pequenos instantes 🌿

✨ Veja Inspirações da Semana

06/06/2023

Review: Os relógios - Agatha Christie

Os relógios Os relógios by Agatha Christie
My rating: 5 of 5 stars

Esse foi um livro que (finalmente) não tinha lido, mas (infelizmente) assisti o episódio no seriado (mas como sempre), porém não lembrava do enredo (sou meio desligada mesmo).

Para essa postagem li 3 resenhas diferentes e todas foram unânimes: boa história, bom enredo e excelente finalização.

A presença de Poirot não é o foco principal, mas é esse Geniozinho que esclarece a confusão e mistérios envolvendo a história!

Sim, esse é daqueles livros que as pessoas esquecem de classificar como o melhor de AC, mas não porque não seja o melhor, é que Agatha era IMPRESSIONANTE em cada obra que nos presenteava:

A escolha foi finalmente para um leitor que deixo AC na prateleira do Kindle, achando que se era gratuito não poderia ser "the best"...

Confira a impressão e confirme: quem lê AC se apaixona...

***********
Resenha de Isa
https://percursosliterariosblog.com

Os Relógios traz um curioso caso de assassinato ocorrido em Wilbraham Crescent, por onde Colin Lamb, agente do serviço secreto britânico, estava de passagem por conta de outra investigação. Lamb então é surpreendido por uma jovem, Sheila Webb, que sai gritando do n°19 da W. Crescente, e, em seus braços, ela, em choque, informa-o que há um homem morto dentro da casa. Lamb liga para um colega inspetor da polícia, Detetive Inspetor Hardcastle.

Assim, inicia-se a investigação do assassinato, cuja identidade da vítima, para piorar a situação, também é desconhecida. Além disso, há outras coisas estranhas: Sheila Webb é uma estenógrafa que recebeu ordens de ir ao endereço a pedido da moradora do n°19 de Wilbraham Crescent, Mrs. Pebmarsh. Esta, no entanto, nega veemente que tenha solicitado tal serviço. E embora Mrs. Pebmarsh seja cega, afirma que 4 relógios encontrados em sua casa depois do assassinato não são seus.

Lamb, sendo amigo de Hercule Poirot, decide consultá-lo sobre o assassinato, e Poirot, longe de onde ocorreram os fatos, se vê então desafiado a resolver o caso sem sequer sair de sua poltrona. Com as informações passadas às minúcias por Lamb, Poirot descobre rapidamente os motivos do crime e quem seria o homem assassinado, mas não revela a Lamb, dando apenas pistas aparentemente desconexas ao amigo.

O livro está muito bem avaliado na Amazon: 4.5 estrelas. E é tão bom assim? É, gente! É um romance policial muito agradável de se ler. Embora haja a importantíssima participação de Hercule Poirot – afinal, é ele quem resolve em primeira mão o curioso caso do assassinato (muito simples para Poirot, diga-se de passagem)–, o detetive belga não é o protagonista da história. Na verdade, sua aparição demorou tanto a aparecer que eu realmente não parava de me questionar quando ele entraria em ação.

E quando ele finalmente entra, deparamo-nos com um Poirot entediado, que conta a Lamb que passou um tempo resolvendo, em sua cabeça, casos reais que foram arquivados sem solução e, findo estes, passou a exercitar a mente resolvendo casos da literatura policial. Nesse diálogo com Lamb, Agatha Christie se utiliza de Poirot como emissor de suas opiniões de outros autores do mesmo gênero. Pontos para Sir Conan Arthur Doyle (mas também, né! Por favor! Como não apreciar a escrita de Conan Doyle?)!

O livro conta com duas narrativas paralelas, uma sendo a de Colin Lamb, em primeira pessoa, em que ele tem a intenção, na verdade, de relatar seu progresso quanto à sua investigação inicial, mas que acaba se comunicando com a investigação do assassinato no n° 19 da Wilbraham Crescent, e a outra em terceira pessoa, onisciente. Essa mudança de perspectiva torna a leitura bastante dinâmica, mas tem o genial ardil de distrair o leitor de algumas pistas existentes ao longo do livro.

Esse, aliás, é um dos motivos por que gostei mais dessa leitura do que de Assassinato no Expresso do Oriente, por exemplo, tão falado por conta do filme lançado no ano passado (2017). Em Expresso do Oriente não achei que houve oportunidade do leitor juntar pistas e tentar formar uma teoria. O leitor cria suspeitas, claro, mas não teorias. Já neste, Os Relógios, as pistas estão lá, mas o leitor é distraído e não as vê, só ao final, claro, quando então o raciocínio lógico de Poirot é delineado. Agatha Christie é realmente uma escritora de romance policial impressionante. Cada romance dela que vou lendo, mais me torno sua fã.

Além das breves análises de autores do gênero policial que surgem do diálogo entre Lamb e Poirot, Agatha Christie, indiretamente, ainda faz referência a obras de Lewis Carroll, o que eu simplesmente achei o máximo (e identifiquei o poema na hora!). Eu simplesmente me apaixonei completamente pela escritora depois desse livro e já fiquei ansiosa pela leitura de todos os outros livros que têm Poirot como detetive.

View all my reviews 


🌿 Respire fundo... a vida é feita de pequenos instantes 🌿

✨ Veja Inspirações da Semana

31/05/2023

Review: O Retrato ou O Retrato Inacabado - Mary Westmacott - Agatha Christie

O Retrato O Retrato by Mary Westmacott
My rating: 4 of 5 stars

Esse é um livro que nos passa a sensação de um ensaio que AC fazia, com duas intenções: autobiografia (sutil) e se daria uma boa romancista. Não sei responder.
Já li A Filha e fiquei com a mesma sensação de uma autobiografia, que não diz tudo, mas tem pequenos desabafos pessoais.
Sempre um tema sobre o relacionamento "Mãe e Filha", o trauma do divórcio e a sociedade inglesa durante e pós guerra - meio sem rumo, meio em decadência.
É assim que vejo alguns textos de AC, uma reflexão sobre as mudanças de costumes e como se manter como mulher nessa sociedade que muda a cada segundo e continua a cobrar as mesmas "obrigações" femininas de serem perfeitas em todas as esferas.

****************
Prestigio novamente o BLOG https://www.voandocomlivros.com/
Retrato Inacabado - resenha de Kelly

Título Original - Unfinished Portrait
Autora - Agatha Christie
Nacionalidade - Britânica
Gênero - Romance
Classificação - ⭐⭐⭐⭐⭐❤

Sinopse - "Durante uma viagem a uma ilha exótica, Larraby, um célebre pintor de retratos, conhece Celia, uma bela e interessante mulher. Ao perceber que ela está prestes a cometer um ato extremo, ele resolve escutar sua história e, assim, tentar mudar seu destino. Larraby elabora um verdadeiro retrato dela, mas com palavras, reconstruindo a vida de Celia até o momento atual. Este encontro acaba trazendo à tona uma explosão de sentimentos que farão do passado desses dois solitários uma experiência sem igual."

"O DESGOSTO NÃO DURA PARA SEMPRE. NADA DURA. SÓ UMA ÚNICA COISA CONSOLA E CURA DE VERDADE: O TEMPO."

"Retrato Inacabado" é o segundo romance da Agatha Christie que foi publicado pela primeira vez em 1934 com o pseudônimo Mary Westmacott.

Os protagonistas, Celia e Dermot, são inspirados na própria Agatha e Archie, seu primeiro marido. Ou seja, boa parte desse livro é autobiográfico.

A Agatha usou esse livro como uma espécie de desabafo. O fim de seu casamento com Archie, em 1928, foi profundamente doloroso, deixou muitos machucados e a autora não conseguia se abrir para conversar sobre seus problemas, nem com amigos mais próximos. Em 1933, a Agatha já estava vivendo uma nova fase, feliz e casada com Max, ela se sentia segura para refletir calmamente sobre seu primeiro relacionamento. Protegida com o pseudônimo, suas recordações de um período terrível foram selecionadas e inseridas em suas histórias.

"CRESCI MUITO DESCONFIADA DE MIM MESMA. ME ACHAVA "ATARRACADA", NÃO ERA UMA PESSOA ALTA, ELEGANTE. [...] EU ERA POR DEMAIS MODESTA A MEU RESPEITO."

"Retrato Inacabado" é pintado por Larraby. Durante sua viagem a uma ilha exótica, ele encontra uma moça a quem resolve chamar de Celia, ao perceber que ela vive um momento crucial e está prestes a tomar uma decisão sem volta. Larraby resolve escutar sua história. E com pinceladas detalhadas, Larraby transmite em palavras toda a trajetória dessa mulher fascinante, desde sua infância até o momento em que ele a conhece pessoalmente.

"SER JOVEM. FICAR VELHO. QUE MISTERIOSO. QUE AMENDROTADOR ERA TUDO ISSO. HAVERIA ALGUM MOMENTO NO QUAL VOCÊ ERA MAIS VOCÊ DO QUE EM QUALQUER OUTRO MOMENTO?"

Falar sobre esse livro é extremamente difícil para mim, foi uma leitura marcante e muito emocionante. Ao escrever essas palavras, sinto minha garganta apertada só de lembrar.

Estou acostumada a ler livros doloridos, mas saber que uma pessoa tão incrível e querida para mim, viveu determinadas situações que são narradas nesse livro, me levou ao limite da angústia. Ninguém merece viver certas coisas.

"NEM SEMPRE É SÁBIO GOSTAR DEMAIS. É SEMPRE UM TORMENTO CONSTANTE."

Minha admiração e amor pela pessoa que hoje conhecemos como Rainha do Crime só aumentou. Se eu puder absorver 0,01% de sua força lendo seus livros, já estou muito feliz. Que mulher maravilhosa! Só quero deixar registrado aqui o meu agradecimento por ela não ter desistido e por ter dividido conosco esse lado tão humano da sua existência.

"SE VOCÊ AMA UMA PESSOA, SUAS FALHAS E DEFEITOS A TORNAM MAIS QUERIDA PARA VOCÊ, E NÃO MENOS."

View all my reviews


🌿 Respire fundo... a vida é feita de pequenos instantes 🌿

✨ Veja Inspirações da Semana