16/06/2023

Review: Hora Zero - Agatha Christie

Hora Zero Hora Zero by Agatha Christie
My rating: 5 of 5 stars

Eu simplesmente fico em choque em como esqueço QUEM é o criminoso nas histórias já lidas.
Eu até sei que vou ser engendrada na trama, mas no final, acabo sendo enganada como da primeira vez.
Essa história é bem "comum", tem alguns pontos que faltaram ser esclarecidos (fora do trama central), mas que fica óbvio o resultado (sobre a filha de Battle).
Como citei dessa vez foi Battle o detetive, e com ele a trama corre mais solta, como se estivéssemos em um filme, com muitas pistas, mas pouco contato com o leitor.
Tem um final inesperado e sim, é um romance que vale a pena ler.
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Resenha de Mila Ferreira
http://www.delivroemlivro.com.br

Hora Zero (Towards Zero, 1944) escrito pela inglesa Agatha Christie é mais um livro que li dentro do cronograma do #PJLendoAgathaChristie2020...

Essa foi a primeira vez que li Hora Zero e me vi fisgada logo nas primeiras páginas com a trama, os personagens e como a própria escritora foi absolutamente criativa ao conduzir a narrativa seguindo todo o conceito de hora zero, proposto no livro.

Desse modo, acho importante mencionar que conceito é esse para conseguir explicar melhor minhas impressões e o enredo desse livro: no prólogo de Hora Zero temos alguns personagens conversando sobre crimes e romances policiais, uma forma que Agatha C. utiliza muito para "brincar" sobre o gênero que escreve. Nessa conversa um dos participantes fala que os romances policiais geralmente iniciam com um crime, porém o crime não é o início, mas o fim de todo uma história que culminou no homicídio.

"Gosto de um bom romance policial, mas, como se sabe, sempre começam do ponto errado! Começam do assassinato. Entretanto, o assassinato é o final! A história começa muito antes disso: algumas vezes anos antes, com todos os motivos e fatos que trazem certas pessoas a certos lugares, numa certa hora e num certo dia."

O que é elencando nesse prólogo é que o crime em si é a hora zero, porém, ele é o fim do ato e não o começo, de modo que, para se entender um homicídio é necessário observar que ele tem início, meses e até anos antes da hora zero e pode se dar em decorrência de inúmeros motivos, no entanto, a Hora Zero é o momento que levou determinadas pessoas a determinados locais e hora de um crime acontecer.

É diante desse conceito que Agatha Christie estrutura sua narrativa, pois o homicídio desse volume acontece lá na metade do livro (e não no começo, como é comum nos romances policiais) e isse conceito também repercute no estilo da narrativa, que é um tanto fragmentada, para acompanharmos os personagens principais principais de maneira separada ao longo de vários meses antes dessa "hora zero".

Então, em Hora Zero, vamos acompanhar um grupo de pessoas que estão planejando ir para a casa de veraneiro da viúva lady Camilla Tressillian, cuja mansão Gulls Point fica ao lado de um penhasco, porém, esse grupo de pessoas apesar de se conhecerem, tem relações bem complexas e algumas nada amistosas, de modo que quando todos combinam de se reunirem em Setembro na mansão, lady Tressillian fica preocupada com as energias negativas e tensões que podem ocorrer nesse período entre os visitantes.

Sempre fui boa em planejar coisas. Nada acontece sem que preparemos o acontecimento. Às vezes você me chama de tola, mas a meu modo sou até bem esperta. Faço com que as coisas aconteçam. Algumas vezes planejo com bastante antecedência.

Todo esse cenário de tensão ocorre porque Nevile Strange, um famoso esportista, largou sua esposa Audrey para se casar com Kay, gerando uma verdadeira onde de desentendimentos, inveja e ciúmes entre essas duas mulheres, no entanto, agora ele gostaria de fazer as pazes com a ex-esposa e que sua atual esposa também se tornasse amiga dela. Obviamente nem tudo vai sair como o esperado, certo?

Além dessa tensão tão grande por conta do triângulo amoroso, também vamos acompanhar o "universo" dos outros personagens, seus atritos, medos, segredos e sentimentos não revelados. A trama de Hora Zero é extremamente envolvente por conta dessas tretas familiares, segredos e triângulo amoroso.

É espantoso o número de mal-entendidos que pode existir, mesmo entre duas pessoas que discutam um certo assunto com bastante frequência, cada uma delas entendi o que melhor lhe convém, sem que o outro desconfie de qualquer disparidade de pensamento.

Para completar, como o crime de Hora Zero acontece na mansão de Gull's Point, ou seja, um ambiente fechado, obviamente todos os que estão presentes na casa tornam-se possíveis suspeitos, assim o superintendente Battle, juntamente com seu sobrinho o inspetor James Leach, ficam responsáveis para conduzir as investigações e descobrir quem é o assassino dentro daquele grupo de pessoas.

O que irá tornar ainda mais difícil na resolução desse caso é a atmosfera de tensão, os segredos e as inúmeras pistas deixadas pelo assassino que podem conduzir a investigação para um "denominador" completamente equivocado.

Honestamente, achei Hora Zero um dos livros mais geniais de Agatha Christie, muito embora - para quem costuma ler a escritora - tenha várias receitas utilizadas pela autora, o que torna mais fácil conseguir "matar a xarada" do livro, no entanto, ainda assim tem uma reviravolta bem incrível e devo dizer que até os últimos momentos fiquei bem dividida entre dois suspeitos e, embora uma das minhas suspeitas tenha se confirmado, ficar dividida não é descobrir o assassino, certo? Então, floppei na tarefa, mas me diverti demais durante a leitura.

Eu tenho um grande respeito pela verdade. Entretanto, descobri que existem coisas mais importantes.

Uma das grandes surpresas de Hora Zero, para mim, também foi o fato das investigações terem sido conduzidas pelo superintendente Battle, pois eu achei esse caso extremamente a cara de Hercule Poirot, tanto é que Battle utiliza muitos dos métodos "Poirotianos" para solucionar o caso e em decorrência disso, devo admitir, que fiquei esperando que o icônico personagem aparecesse em algum momento do livro, mas isso não aconteceu.

De qualquer forma, Hora Zero, foi um livro brilhante, viciante e que me deixou tão envolvida que praticamente não conseguia largar o volume, então, já deixo aqui minha recomendação.

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15/06/2023

Review: O vale do medo - Arthur Conan Doyle

O vale do medo O vale do medo by Arthur Conan Doyle
My rating: 4 of 5 stars

Mais um livro sobre Sherlock!
Me sinto culpada, mas não consigo ter a mesma paixão por ele do que tenho pelo Poirot, sei que são estilos diferentes, mas me permito ser crítica.
Quanto a esse livro, gostei só da primeira parte, a segunda foi algo tão sem sentido pra mim, por isso procurei uma resenha de quem gostou, pois assim fica mais fácil!
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Resenha de Isabelle:
https://www.mundodoslivros.com

Título: O Vale do Medo
Série: Sherlock Holmes
Autor: Arthur Conan Doyle

Por meio de uma mensagem cifrada, Sherlock Holmes e seu leal Watson descobrem que um certo John Douglas, proprietário e morador do Solar Birlstone, está correndo risco de morrer. Pouco mais de uma hora depois, no entanto, ficam sabendo que o assassinato fora consumado na noite anterior, em circunstâncias extraordinárias. A casa estava trancada, a ponte levadiça suspensa, como alguém poderia ter pulado o profundo fosso que cercava a construção? Desvendar esse mistério acabará transportando Holmes e Watson para décadas antes. Na Pensilvânia dos anos 1880, uma organização secreta, corrupta e violenta, assombrava os dias e noites de operários de uma mina de carvão. Essa mistura perigosa viria a determinar o futuro do infeliz John Douglas.

Sherlock Holmes e Dr. Watson tinham um problema em mãos para resolver. No entanto, todas as tentativas para elucidá-lo pareciam ruir pela falta de uma importante peça para encaixar o quebra-cabeça oferecido pelo bilhete cifrado que fora enviado para o detetive. Trabalhando em um processo de eliminação de teorias, depois de algum tempo eles finalmente conseguem entender a mensagem contida naquela mensagem. Mas para o espanto de ambos, o que estava escrita ali era nada mais nada menos do que o aviso de que um homem chamado John Douglas estava ameaçado de morte. Antes mesmo que eles pudessem refletir sobre o que fazer para avisar a possível vítima dos riscos que ela corria, um velho conhecido de Holmes bate a sua porta e traz a fatídica notícia de que o crime que eles foram alertados que ocorreria, de fato ocorreu.

Partindo imediatamente para a propriedade de John, eles se surpreendem quando são recebidos por uma cena de violência grotesca em que tudo levava a crer que o desejo de vingança tinha sido o grande motivador do crime. Todavia, após uma grande reviravolta no caso, chegam até o conhecimento deles uma história assombrosa de uma terra sem lei, onde homens possuidores dos piores instintos cometiam assassinatos bárbaros e imputavam o terror nos moradores de uma cidade que sobrevivia através dos trabalhos gerados nas minas localizadas ao redor do lugar. Adentrando mais profundamente na mente do homem que narra esses fatos, aos poucos Holmes e Watson percebem que nem tudo o que parece, é.

Assim como o primeiro romance da série protagonizada por Sherlock Holmes, o livro “O Vale do Medo” é dividido em duas partes. Como a primeira delas é dedicada à investigação, ela é narrada por Watson enquanto a segunda é narrada sob a perspectiva de um homem de caráter duvidoso conhecido como Jack McMurdo e que nos revela pouco a pouco os segredos terríveis que o famigerado vale esconde. Mais do que um policial com foco na descoberta do responsável pelo crime, nesse livro Doyle traz uma história obscura que paralisa o leitor diante de um relato que apesar de fictício, carrega em sua essência a triste realidade vivida por pessoas que viveram o terror imputado por uma facção criminosa conhecida pelo nome de “Molly Maguires” que agia em determinadas regiões dos Estados Unidos em meados do século XIX.

Segundo o estudioso Leslie S. Kingler que comenta a edição, além desta, são várias as analogias que Doyle faz a pessoas e acontecimentos reais nesse livro. Tanto, que para ajudar o leitor a se orientar melhor nesse aspecto, ele disponibiliza uma tabela com todos os análogos que ele conseguiu catalogar na área de anexos do livro, como também, discorre sobre cada um deles nas notas do livro. Mas não é só isso. Antes de iniciar a narrativa intitulada de “Os Scowrers”, ele discorre brevemente sobre uma curiosa possibilidade: a de que a segunda parte de “O Vale do Medo” pode ter sido escrita por outra pessoa que não Doyle.

Ao que se sugere, o dito autor possuía certos conhecimentos históricos sobre o assunto, bem como, algum talento para escrever ficção. Se isso for verdade, posso dizer sem sobre de dúvidas que isso o ajudou a carregar a narrativa com tamanha densidade e fluidez que mesmo quando ele está descrevendo ataques frios e cruéis a pessoas inocentes, o leitor não consegue deixar de ler cada página avidamente. Ouso dizer até, que nesse livro a segunda parte suplanta com certa vantagem a narração de Watson sobre a investigação conduzida por Holmes, pois por mais que ela seja envolvente, deixa a desejar se equiparada com “O Cão dos Baskerville”, por exemplo. Se isso é também uma consequência da “ressurreição” de Sherlock Holmes que Doyle teve que realizar mesmo a contra gosto, eu não sei. A única coisa que sei com certeza é que esse é um livro que faz o leitor refletir seriamente sobre o real significado de justiça e vingança.


[...] Este é o Vale do Medo, o vale da morte. O terror está nos corações das pessoas do crepúsculo ao raiar do dia. Pág. 177

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12/06/2023

Fase desenhista e pintura a lápis - Botão de Rosa (RoseBud)

 Boa Tarde meus leitores e leitoras queridas!!

Gosto de compartilhar pequenos fragmentos de mim, e sabemos que não são poucos, mas pouco falo deles..

A fase desenhista está em processo desde 2016/17 e 18 com a chegada da caligrafia em minha vida.. postei algumas coisas no Instagram, mas confesso que o que tem lá é um cisco do que faço e já fiz.

Já bateu até a vontade de escrever algo sobre meus #365dias desenhando com Grafite, mas imagina um ser que fica tímido com isso? Eu mesma...

Já tive vontade de transformar o FLYRoBrasileira em um blog TOTALMENTE voltado para Mimos e desenhos, porque organizar a vida e a casa é legal, mas descobrir o que de fato nos equilibra e nos encanta é muito mais difícil..

Enfim, não é para ser uma fase desabafo, mas sim compartilhar um desenho que fiz e o acabamento com lápis de cor.. eu gostei do resultado, mas acreditem, o vídeo original (de onde assisti as dicas é IMPRESSIONANTE)

By Linda Hampson

Nem adianta comparar o meu com o dela.. o meu ficou LINDO em sua simplicidade e por ser a primeira vez.... 😂😂😂
By Myself Roseli
Consegui evoluir a Rosa - estou feliz com a primeira tentativa.
Baseado na aula de Annabelle Oldkennelsfarm - diferente... ♥️ 







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